Pouco se conhece sobre Carlo Lorenzini, autor de As aventuras de Pinóquio. Collodi, como gostava de assinar suas obras, nasceu na cidade italiana de Florença, em 1826. Comediante, participou das batalhas de 1848-49, pela unificação da Itália, mesma fase em que começa a escrever os primeiros textos. Também é o período em que funda o jornal satírico Il Lampione, fechado rapidamente pela censura. Fica logo conhecido com sua estreia, In vapore (1856), e dá sequência a suas atividades políticas no jornal Il Fanfulla, criando histórias engraçadas e cenas irônicas, como Macchiette (1880), Occhi e nasi (1881) e Storie allegre (1887).
Sua entrada na literatura infantil foi por meio da tradução dos contos de fada de Charles Perrault, Racconti delle fate, em 1875. Porém, sua principal criação seria muito diferente deste gênero literário. O personagem Pinóquio surge em 1881 junto com o jornal semanal Il Giornale per i Bambini, na história seriada sob título Storia di un burattino [A história de um boneco]. Neste momento peculiar da Itália, cujo discurso era em prol de uma nação única, Collodi sentia que a individualidade e a liberdade poderiam estar ameaçadas. O autor, então, deu voz a um boneco inconformista, transgressor, mas que paga por seus atos inconsequentes. O impertinente boneco de madeira logo se tornou muito querido pelos leitores.
Após a publicação desta aventura em livro, em 1883, Collodi dedicou-se ao que seria uma continuação, escrita também em capítulos na mesma revista, durante os anos 1883 e 1885. Chamava-se Pipì o lo scimmottino color di rosa [Pipi, o macaquinho cor-de-rosa]. Collodi morreu em 1890, na sua terra natal. Seu personagem mais conhecido, no entanto, permanece vivo mais de cem anos depois de sua criação.