Michel Leiris
Nasceu em Paris, dia 20 de abril de 1901. Muito jovem, antes mesmo da universidade, frequentou a geração de André Masson, Erik Satie, Max Jacob e Robert Desnos. Ao lado de André Breton e Georges Bataille, aderiu, em 1924, ao movimento surrealista, do qual se desligou, anos mais tarde, para empreender um projeto de escrita autobiográfica permeada por literatura e etnografia. Em 1929, mais próximo do universo da antropologia, assumiu, com Marcel Griaule, a secretaria de redação da revista de arte e etnografia Documents, dirigida por Bataille. Pouco depois, seria oficialmente nomeado secretário-arquivista e pesquisador da Missão Etnográfica e Linguística Dacar-Djibuti, com o apoio de Georges Henri Rivière, subdiretor do Museu Etnográfico do Trocadéro, rebatizado em 1937 como Musée de l’Homme.
Ao retornar da longa viagem à África (1931-1933), foi nomeado responsável pelo Departamento da África Negra no Trocadéro e tornou-se aluno de Marcel Mauss na École Pratique des Hautes Études (EPHE) e no Institut d’Ethnologie. A publicação de A África fantasma (1934), de tom marcadamente subjetivo sobre o cotidiano da missão, causou mal-estar entre Mauss, Paul Rivet e Griaule ? com quem não se reconciliaria ?, que consideraram o livro um desserviço ao futuro da etnografia nas colônias. Em 1938, obteve diploma da École Nationale des Langues Orientales e da EPHE, com a tese A língua secreta dos Dogons de Sanga.
Leiris, em 1943, tornou-se pesquisador no Centre Nacional de la Recherche Scientifique (CNRS), na capital francesa, do qual seria diretor a partir de 1968. Manteve vivo interesse pela África, desenvolvendo trabalhos sobre arte, possessão, colonialismo e tauromaquia, este um objeto de sua predileção que resultou em livros de poesia e o ensaio etnográfico, literário e erótico O espelho da tauromaquia (1938). Publicou ao longo de toda sua vida em revistas de literatura, arte e antropologia, destacando-se La Révolution Surréaliste, Minotaure, La Critique Sociale, La Bête Noire e Grandhiva: Revue d’Histoire et dArchives de lAnthropologie, por ele fundada em 1986.
Morreu em Saint-Hilaire, dia 30 de setembro de 1990.
Obras de Referência