Bruno Munari
Assim começa o pequeno texto autobiográfico de Munari que vem encartado em Na noite escura: “Nascido em Milão em 1907, onde vive e trabalha, tem um metro e sessenta e pesa pouco mais de cinquenta quilos”.
Segundo Pière Restany, Munari era “o Leonardo e o Peter Pan do design italiano”. Viveu até setembro de 1998. Era artista, designer, escritor, ilustrador. Com uma personalidade altamente investigativa e alto poder de síntese, foi contemporâneo de outros autores muito reconhecidos como Leo Lionni e Enzo Mari. Tinha uma maneira muito própria de projetar, a de “subverter programaticamente o sentido das coisas”, transformando a ironia num método científico de trabalho, como afirma Enrico Morteo.
Participou do movimento futurista e do movimento de arte concreta na Itália e trabalhou para empresas altamente conceituadas como a Mondatori, Einaudi, Olivetti e Danese. Recebeu diversos prêmios importantes durante a vida, tais como o Compasso d’Oro da Associazione per il Disegno Industriale (1954 e 1955), medalha de ouro na Triennale di Milano com os “livros ilegíveis”, Prêmio Hans Christian Andersen como melhor autor para a infância (1974), Prêmio Gráfico Fiera di Bologna per l’Infanzia, entre outros. Considerado por Giulio Carlo Argan como “expoente de ponta da cultura artística italiana”, dedicou-se intensamente a atividades didáticas. Dentre seus livros mais conhecidos no Brasil estão Design e comunicação visual (Laterza, 1968), Artista e designer (Laterza, 1971) e Das coisas nascem as coisas (Laterza, 1981).
Para finalizar o mesmo texto do encarte, Munari conclui: “Com licença por um momento, me chamam ao telefone”.
Obras de Referência