Bento Prado Jr.

  • Bento Prado Jr.
Bento Prado de Almeida Ferraz Jr. nasceu no dia 21 de agosto de 1937 em Jaú, interior de São Paulo. Seu pai dividia as tarefas de fazendeiro com as de professor de latim. A família de dez filhos mudou-se para a capital em 1943. Bento formou-se em filosofia na Universidade de São Paulo entre 1956 e 1959, tendo sido aluno de João Cruz Costa, Lívio Teixeira, Gilda de Mello e Souza, José Arthur Giannotti e Ruy Fausto. Um pouco antes, frequentou a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, onde fez amizade com vários de seus futuros professores e colegas, além de artistas ligados ao meio teatral como Manoel Carlos, Flávio Rangel, Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Já como aluno da Faculdade da rua Maria Antonia, participou ativamente das primeiras reuniões do hoje famoso seminário de leitura de O capital, junto a Fernando Novais, José Arthur Giannotti, Ruth e Fernando Henrique Cardoso, Roberto Schwarz e Michel Löwy, entre outros. Em 1960, acompanhou a visita de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir a São Paulo, mas o contato mais estreito com o chamado “método estrutural” da filosofia francesa - marca do departamento uspiano - deu-se entre 1961 e 1963 numa estadia em Rennes, onde frequentou cursos de Victor Goldschmidt e Gilles-Gaston Granger. Nessa época, assistiu também às aulas de Claude Lévi-Strauss e Julles Vuillemin no Collège de France, bem como as de Henri Gouhier e Maurice Gandillac na Sorbonne.

Em meados de 1963, voltou ao Brasil e retomou a rotina de cursos na USP. O golpe de 1964 obrigou o Departamento de Filosofia, temendo cassações futuras, a titular seus membros mais jovens, numa atitude de autodefesa. Bento preparou em dois meses e meio uma tese de livre-docência sobre Henri Bergson, que publicaria em 1988 sob o título Presença e campo transcendental: consciência e negatividade na filosofia de Bergson e seria traduzida na França em 2002, onde foi acolhida com entusiasmo. Data da década de 1960 o seu interesse pela obra de Rousseau, graças ao estímulo de Gérard Lebrun. Em 1969, sua cassação pelo AI-5 levou-o a um exílio na França. Após um período como bolsista do governo francês, tornou-se pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique, onde desenvolveu a pesquisa que resulta no livro A retórica de Rousseau e outros ensaios (Cosac Naify, 2008). Nessa época frequentou com Pierre Clastres os cursos de Claude Lévi-Strauss no Collège de France, bem como os de Michel Foucault na mesma instituição. Assistiu também às aulas de Gilles Deleuze em Vincennes.

Voltou ao Brasil em 1974 e dois anos depois foi convidado a criar o programa de pós-graduação em filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Coordenou, também nesse período, a edição da revista Almanaque ao lado de Walnice Nogueira Galvão. Em 1978, passou a dar aulas na Universidade Federal de São Carlos (SP), onde propôs a realização de seminários de filosofia da psicologia e da psicanálise, a partir dos quais tirou matéria para alguns de seus ensaios. Em 1998, a USP conferiu-lhe o título de Professor Emérito. Faleceu em 12 de janeiro de 2007.

Obras de Referência