Alfonso Berardinelli

  • Francisco Degani
  • Alfonso Berardinelli
Nascido em Roma em 1943, Alfonso Berardinelli faz parte da geração de intelectuais que cresceu no pós-guerra e viu a Itália passar pelo boom econômico dos anos 1950 e 1960 e entrar tardiamente na modernidade. Acompanhou de perto o surgimento da neovanguarda, os movimentos sociais de 1968, bem como a consolidação da cultura de massa. Filho de antifascista, de uma família composta por todos os matizes da esquerda, do comunismo ao anarquismo, depois de frequentar uma escola salesiana no popular bairro do Testaccio, em Roma, matriculou-se na Universidade de Roma, em Letras Modernas. Nesse período, entrou em contato com as lições do crítico Giacomo Debenedetti, presença reconhecível no ensaísmo que fará depois. Teve uma brilhante carreira universitária: foi professor de História da Crítica Literária na Universidade de Cosenza e professor titular de História da Literatura Moderna e Contemporânea na Universidade de Veneza. Em 1995, depois de quase vinte anos ensinando literatura, num gesto único e raro, demitiu-se, deixando perplexos amigos e colegas.

A partir daí foi chamado a participar de simpósios, congressos, dar conferências e cursos na Itália e fora dela, além de atuar junto a editoras e jornais.

Desde a tumultuada década de 1970, das grandes esperanças e das terríveis derrotadas da Nova Esquerda, Berardinelli vem confeccionando ciclicamente panoramas, quadros gerais, sínteses nas quais a sociedade italiana é observada através das ideias, dos movimentos e da produção de seus escritores, poetas, filósofos, políticos, jornalistas, acadêmicos e das relações que estabelecem com o Poder, seja o do Estado ou o midiático. A partir de 1998, Berardinelli tem visitado o Brasil com frequência: na primeira vez, a convite da Bienal de Poesia, realizada pela Secretaria da Cultura de Belo Horizonte mais recentemente, em 2005, esteve na Universidade de São Paulo dando aulas e conferências.

De sua autoria foram traduzidos os ensaios “Calvino moralista, ou: como permanecer sãos após o fim do mundo” (Novos Estudos Cebrap, 1999) e “Os confins da poesia” (Inimigo rumor, 2003). Foram publicados ainda, em italiano, “La fine del postmoderno” (Revista de Italianística, 2005) e “Classici del romanzo europeo: da Stendhal a Kafka” (Serafino, 2007).

Obras de Referência