André Breton
Principal fundador da vanguarda surrealista, André Breton nasce em Tinchebray (França), em 1896. Muda-se para Paris em 1913, a fim de estudar medicina. Em 1915, é convocado para a Primeira Guerra Mundial e, em seguida, mandado a Nantes para trabalhar numa enfermaria neurológica. Aí se inicia seu contato com o poeta francês Guillaume Apollinaire, com quem passa a compartilhar ideias dadaístas.
Em 1917, passa a trabalhar em um hospital psiquiátrico em Saint-Dizier. Sob a influência dos estudos de Sigmund Freud e já um dissidente do dadaísmo, escreve, em 1924, o primeiro Manifesto Surrealista, em que defende os instintos humanos e o inconsciente como verdadeiras forças criadoras da expressão artística. O Manifesto converte-se em referência para intelectuais e artistas, não apenas na literatura, como também no cinema e, sobretudo, nas artes plásticas. Por meio da revista La Revolution Surréaliste, contribuiu de modo decisivo para a consolidação do movimento, que teve repercussões além dos limites europeus.
Poeta, seu método de trabalho consistia no puro automatismo psíquico, ou seja, em escrever de forma espontânea tudo o que lhe vinha à mente, num mergulho dentro de si mesmo em busca de referências oníricas.
Em 1928, escreve Nadja, que consagra o surrealismo na prosa literária. O livro tem traços biográficos, remetendo a uma paciente psiquiátrica que conheceu em 1926. Um ano depois, integra o Partido Comunista, do qual será expulso, em 1933, finalizando a conturbada relação com os comunistas. Antes, porém, escreve Por uma arte revolucionária independente ao lado de Leon Trotski, em que ressalta a arte como postura política.
Em 1930, no segundo Manifesto, afirma: “Tudo nos leva a acreditar que existe um certo estado da mente em que vida e morte, o real e o imaginário, passado e futuro, o comunicável e o incomunicável, altura e profundidade não são mais percebidos como contraditórios”.
Durante a Segunda Guerra Mundial, é perseguido e então parte para o exílio nos Estados Unidos, retornando à França em 1946. Morre, em Paris, em 1966.
Obras de Referência