Livros sempre foram uma questão importante para Waltercio Caldas. Muitos de seus trabalhos têm este objeto como ponto central, como é o caso de
Los Velázques (1994) e
O livro Velázques (1996). Para o artista, livros carregam a capacidade de causar no leitor “suspensão e vertigem”, como qualquer
obra de arte.
Por isso, para um dos mais prestigiados artistas brasileiros, reconhecido internacionalmente, a publicação de um livro significa muito mais do que a compilação de criações: trata-se de apresentar uma nova forma de experimentar o mundo.
Em seu terceiro título pela Cosac Naify,
Salas e abismos, Waltercio Caldas reuniu pela primeira vez as 25 instalações – gênero em que se tornou mestre – criadas ao longo de 30 anos de carreira, em edição cujo projeto gráfico, assinado por ele, é pra lá de generoso: 28,5 cm por 37 centímetros, uma verdadeira galeria de arte em que o “visitante” terá a sensação de estar dentro do ambiente. Preocupado com a forma de apresentação da obra de arte tanto quanto com a obra em si, Waltercio cria novos limites para os objetos e faz de
Salas e abismos “um espaço gráfico de visitação irrestrita”. Daí sua opção por chamar suas instalações de “salas”, combinadas aqui de modo a formar um percurso em que a relação entre elas está mais evidente – os ensaios de Paulo Venancio Filho, Paulo Sérgio Duarte e Sônia Salzstein reunidos na edição dão boas pistas neste sentido.
Salas e abismos será lançado no dia 25 de fevereiro, na Livraria Travessa do Shopping Leblon, às 20h. Nove das 25 instalações também fazem parte da exposição de mesmo nome, em exibição no Museu Vale, em Vila Velha, no Espírito Santo, até o dia 21 de fevereiro. Ainda neste ano, a mostra irá para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro para depois ser apresentada no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo.
Caldas na Cosac Naify Há dez anos, a Cosac Naify lançou a
monografia sobre Waltercio Caldas, com texto crítico de Paulo Sergio Duarte. Hoje há poucos exemplares disponíveis e o livro virou objeto de desejo para muitos colecionadores, ocupando a seção
Raríssimos do catálogo virtual da editora, único canal por onde é vendido.
O artista também fez duas capas para livros da editora. Sua criação para
Duchamp – uma biografia (2000), de Calvin Tomkins – sobrecapa de acetato com desenhos – tornou esta também uma edição especial, em exemplares assinados por Waltercio e abrigados na mesma seção Raríssimos. Para ilustrar
A cultura do romance (2009; org. de Franco Moretti), o artista voltou à sua obsessão pelos livros.
Em 2008, atualizou e reeditou o cult
Manual da ciência popular, espécie de “superfície em que suas dúvidas jamais serão esclarecidas, pois gostaria o autor que estivéssemos em um livro sem fundo”, conforme o prefácio da primeira edição, de 1982, pela Funarte. Uma combinação de inteligência e humor apresenta objetos do cotidiano de forma completamente inesperada, uma verdadeira “desorientação didática” criada especialmente para o formato impresso. “Quem faz um livro inventa um lugar e é por ali que segue. Terão estes objetos algum dia suficiente autonomia para duvidar de suas versões impressas?”. Em tempos de leituras virtuais e
e-books, Waltercio Caldas deseja vida longa ao livro.
LANÇAMENTO Salas e abismosDia 25 de fevereiro, 20h
Bate-papo com Paulo Sergio Duarte | Mediação de Izabel Aleixo
21h Coquetel e sessão de autógrafos
Livraria Travessa do Shopping Leblon - Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A - Rio de Janeiro
Visite o site de Waltercio Caldas