A entrevista que Clarice Lispector concedeu em 1977 ao jornalista Júlio Lerner no programa
Panorama, da TV Cultura, exibe a escritora aos 56 anos, de vestido branco de bolinhas vermelhas, com uma ruga constante na testa. Mais que uma conversa, ela e o jornalista travavam um verdadeiro duelo: ele tentava penetrar o “universo enigmático” – como se convencionou chamar – da escritora, enquanto ela procurava se proteger da exposição excessiva.
“Foi a única vez que Clarice falou diante de uma câmera, e, por essas imagens serem únicas, a entrevista teve um impacto muito maior na sua imagem pública do que as que ela concedeu quando era mais jovem”, explica
Benjamin Moser na biografia
Clarice,, lançada em outubro de 2009 pela Cosac Naify.
Clarice Lispector provoca interesse. Assim como os diferentes trechos e versões da entrevista a Júlio Lerner acumulam centenas de milhares de visualizações no
YouTube, a revisita à vida e à obra da escritora, proposta na obra de Benjamin Moser, “representa um marco indispensável para quem quiser chegar mais perto da vertiginosa essência de Clarice”, como descreve Yudith Rosenbaum, psicóloga e professora de Literatura da USP, na quarta capa do livro.
A obra está a caminho da terceira edição e ocupa, nesta semana, diversos postos nas principais listas de livros mais vendidos do Brasil: das revistas
Época e
Veja, e dos jornais
Folha de S. Paulo,
O Globo,
Jornal do Brasil e
Diário de São Paulo.
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