Durante a visita do jornalista norte-americano
Eric Lax ao Brasil, em maio, a Cosac Naify organizou, em parceria com a
Revista Cult, o
concurso “O que você gostaria de saber sobre Woody Allen?”.
Os leitores deveriam enviar perguntas sobre o cineasta ao seu biógrafo, autor de
Conversas com Woody Allen, que esteve no país para participar do
II Congresso de Jornalismo Cultural.
Eric Lax participou da seleção das perguntas recebidas pelo Twitter e escolheu a de Jussara Leite, de União da Vitória (PR), como vencedora:
@jussaraleite: Considerando a complexidade psicológica das tramas criadas por Woody Allen, como se dá o processo de criação de seus personagens? Confira, a seguir, a resposta de Lax:
“Woody visualiza uma história e, em seguida, passa várias semanas martelando-a em sua mente, sem escrever uma única palavra. Ele não escreve o roteiro antes de ter a história completamente formada em sua cabeça.
A construção dos personagens evolui conforme a história se torna mais complexa. Certa vez, ele me disse que seus filmes começam a mudar no momento em que a primeira linha do diálogo é enunciada pelo ator, porque são raros os momentos em que a voz que ouvia em sua mente, durante a concepção do filme, coincide com a realidade da representação. Há exceções, como o filme
Match Point. Este, diz ele, saiu exatamente como foi imaginado.
Woody já inventou tantos personagens que às vezes até se esquece deles. Tem uma ideia e pensa: “Vou realizá-la”. Mas, no meio do caminho, percebe que está se repetindo, que o personagem que está criando já existe. Às vezes percebe isso a tempo; em outros momentos, está cego e não enxerga a semelhança até que o filme esteja finalizado e alguém lhe aponte a repetição.
Woody não revê seus filmes, talvez por isso acabe se esquecendo deles. Sente um imenso prazer em revisitar obras de autores como
Tchekhov, Bergman ou Tennessee Williams, mas não consegue retornar à sua própria produção.”
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A vencedora irá ganhar um exemplar de
Conversas com Woody Allen e uma assinatura semestral da
Revista Cult.
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