Lançado em: fevereiro/2006
apresentação do livro
Uma aprendizagem do afeto

A árvore generosa é o título mais conhecido de Shel Silverstein. Este clássico de 1964 comoveu gerações com a história do amor entre uma árvore e um menino. Desde que a Cosac Naify o recolocou no mercado brasileiro, em 2006, já foram cinco reimpressões, e mais mil estudantes já leram o conto em suas escolas. É um dos infantojuvenis mais vendidos da editora.
A árvore é a amiga amorosa que dá tudo ao menino, suas folhas, seus frutos, sua sombra. O menino também ama a árvore, a grande companheira de todos os dias: sobe em seu tronco, se pendura nos galhos, brinca de esconde-esconde. Até que vai crescendo, se torna adolescente, depois adulto. E, pouco a pouco, deixa a amiga de lado.
“Estou grande demais para brincar”, diz o menino, que então precisa de dinheiro para comprar “muitas coisas”. A árvore fornece suas maçãs para o jovem vender. Depois, seus galhos para construir sua casa. E a história acompanha o passar do tempo até a velhice do homem – que mesmo no fim da vida ainda é chamado de menino pela árvore.
À primeira vista, a história aborda apenas a questão da consciência ecológica: o homem pequeno, mesquinho, frente à generosidade e a força da natureza. A capa, em dois tons de verde, já aponta para isso. No entanto, a dinâmica que vemos entre o menino e a árvore é também sobre a passagem do tempo e dos valores que são reavaliados com ela. A árvore mostra, por meio do afeto, uma relação de troca sincera e desinteressada – essa que o homem parece desaprender nas exigências da vida adulta.
Pouquíssimas palavras são necessárias para Silverstein criar sua narrativa. E quem as traduziu foi Fernando Sabino – e ele mesmo, que também se encantou com a história. Do mesmo modo, o desenho aposta na força do silêncio para nos emocionar. O traço simples e preciso do autor – que ainda por cima é em preto e branco – é levado às últimas consequências aqui, captando o essencial de cada cena com muito pouco.