História do olho

Lançado em: setembro/2003


Título do Livro

apresentação do livro


Um clássico da literatura erótica




Ao longo de um percurso intelectual em que filosofia, crítica e literatura se confundem, George Bataille (1897-1962), pacato funcionário de carreira da Biblioteca Nacional francesa, devasso de fim-de-semana, jamais renegou esta fidelidade ao impulso transgressivo. Sua defesa do potencial libertador dos excessos assumiu múltiplos aspectos, mas realiza-se plenamente no interesse pelo erotismo, vazado teórica ou literariamente.

Estréia ficcional de Bataille, História do olho foi publicada sob pseudônimo (Lord Auch), em 1928. Escrita em primeira pessoa, esta novela acompanha os jogos sexuais do narrador, recém-saído da infância, e sua amiga, Simone, na companhia ocasional de Marcela, outra adolescente. Este mundo fechado em si mesmo, egoísta e livre de interditos, do qual os adultos participam apenas como testemunhas eventuais, obedece exclusivamente "às exigências internas da fantasia", segundo Eliane Robert Moraes, que assina o prefácio e a tradução, e aos imperativos do desejo.

O tom direto do narrador, longe dos circunlóquios pudicos ou dos derramamentos expressivos, contrasta com a irrealidade dos cenários, marcados pelo convencionalismo gótico. A sucessão descontínua e abrupta de praias desertas, castelos isolados, florestas tempestuosas, claustros sombrios conferem à matéria narrativa, de uma perversidade crescente, o aspecto insólito que o escritor peruano Vargas Llosa acertadamente batizou de "prisão onírica", resultando num conto de fadas sombrio, forma e conteúdo em constante atrito.

O autor se deixa apreender, justificando a longa linhagem de admiradores e discípulos que inclui Roland Barthes, Maurice Blanchot, Raymond Queneau ou Michel Foucault e não conhece final abreviado.

A edição contém ensaios de Michel Leiris, Roland Barthes e Julio Cortazar,  publicados respectivamente, nas revistas L’Arc (1971), Critique (1963) e Último Round (1969).