Jogar, representar - práticas dramáticas e formação
Lançado em: março/2009
apresentação do livro
O jogo como fundamento

O autor e professor Ryngaert (dir.) em atividade com seus alunos
Ryngaert discute em Jogar, representar uma das questões centrais no atual teatro brasileiro: a profusão de experiências com “não-atores”
O desenvolvimento da capacidade de jogo para “todo aquele que estiver disponível para essa aventura” é o eixo de Jogar, representar, do professor da Universidade de Paris III e diretor teatral Jean-Pierre Ryngaert. Publicado em 1985, oito anos depois de seu primeiro livro – O jogo dramático no meio escolar, que viria a exercer uma poderosa influência na França –, Jogar, representar retoma e expande as formulações iniciais do autor sobre indivíduo e jogo, bem como firma a originalidade de seu pensamento em torno de questões que desenvolverá em suas obras posteriores.
Permeando todo o livro está o tema do desenvolvimento da capacidade de jogo, encarado como resultado do desenvolvimento individual de todos os seus participantes. “Uma das primeiras peculiaridades que chamam a atenção na leitura é a derrubada das fronteiras entre os atores e os chamados ‘não-atores’, ou seja, aqueles que, independentemente de idade ou inserção, se dispõem à experiência teatral sem vinculá-la a nenhuma pretensão de carreira. Nesse sentido, este livro é sem dúvida um divisor de águas” escreve a pesquisadora teatral e professora Maria Lúcia Pupo, que assina a introdução da edição.
Utilizando como fontes de pesquisa os trabalhos de Richard Monod, Miguel Demuync, Gisèle Barret, Augusto Boal, entre outros, Ryngaert parte da confluência entre teoria e prática para refletir sobre as condições ideais do jogo, sobre o comportamento dos participantes, o papel determinante do indutor, a construção de uma narrativa, o espaço do jogo como estímulo coletivo, entre outros assuntos. Ryngaert também propõe exercícios e jogos para grupos.
“Estamos no avesso do domínio da técnica, dado que não há pré-requisito para jogar”, comenta Pupo. Esta ausência de “pré-requisitos” se justifica uma vez que a preocupação de Ryngaert não está apenas na formação do ator, mas também na compreensão da “interioridade do sujeito”, levado no jogo a se confrontar com o inesperado, com os outros e consigo mesmo.
“O interesse pelo jogo – diz Ryngaert – provém dessa situação de entre-lugar, nem no sonho nem na realidade, mas numa zona intermediária que autoriza a multiplicação das tentativas com menores riscos.” É nesta “zona intermediária” que Ryngaert pensa uma pedagogia do teatro, “questão central hoje no Brasil”, segundo Maria Lúcia Pupo, se for levada em conta a profusão de experiências teatrais, “tal como aquelas que ocorrem em escolas, centros culturais, prisões, organizações não-governamentais, entre outros”.
Pensando o jogo fundamentalmente no tríptico da experiência sensível, da experiência artística e da relação com o mundo, Ryngaert explora, em Jogar, representar, as dimensões mais diversas dessa atividade. Por isso mesmo vai tomar para si as palavras do psicólogo e pediatra inglês D. W. Winnicott, quando este diz que “jogar é uma forma fundamental da vida”.
Leia entrevista com o autor
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