O grande jogo de Billy Phelan

Lançado em: fevereiro/2010


Título do Livro

apresentação do livro


Jogo da vida




Em Albany, todos gostam de Billy Phelan, um exímio e inveterado jogador, frequentemente endividado, que costuma repetir: “Billy sempre paga suas dívidas”. A vida de Phelan é uma extensão do circuito de bares e jogo de Albany, mas, subitamente, todas as portas se fecham para ele. Billy não é mais aceito nos salões de bilhar. Nos bares, os garçons lamentam, dizem que estão apenas cumprindo ordens e não podem mais recebê-lo. Todos passam a evitá-lo.

O motivo que leva Billy a cair em desgraça é sua hesitação em servir como informante na investigação do sequestro de Charlie Boy McCall, primogênito da família McCall, que controla a política, os jogos e todas as esferas de poder da cidade de Albany, capital do estado de Nova York. Mas Phelan, “um sujeito que coloca o jogo no seu devido lugar: no mesmo plano que respirar e comer”, tem um aliado, Martin Daugherty, colunista do Times-Union, principal jornal da cidade. Martin idolatra Billy, é obcecado pela independência e pela habilidade para ganhar e perder dignamente que só Billy parece ter. Colega de escola dos McCall, é Martin quem transmite a Billy o pedido destes para que fique atento a um suspeito de estar envolvido no sequestro. A partir de então, Billy se vê enredado em uma espiral vertiginosa de trapaças e muita ação, com especial destaque para as eletrizantes partidas de boliche, sinuca, pôquer e apostas em cavalos.

O grande jogo de Billy Phelan, de 1978, faz parte do que se convencionou chamar de Ciclo de Albany, composto por mais seis livros (Ironweed, Very old bones, Legs, Quinn’s book, The flaming corsage e Roscoe). Tal um outro William, Faulkner, que inventou a cidade de Yoknapatawpha, Kennedy dá vida de modo muito particular à sua cidade-natal, Albany, capital de Nova York.  Pensado inicialmente por Kennedy como um longo romance sobre a história de Albany, desde os colonizadores holandeses do século XVII, passando pela imigração irlandesa, pela Depressão, até o funeral de Jack Kennedy, o Ciclo de Albany é uma espécie de mosaico literário, cujas partes se relacionam e podem também ser lidas separadamente.

No livro, William Kennedy narra uma história complexa, cheia de idas e vindas, de maneira seca e direta. O leitor acompanha o desenrolar da ação principal, que se passa em outubro de 1938, mas, com habilidade, Kennedy costura na trama informações sobre o passado dos personagens, as histórias familiares de Martin e Billy, a relação de Billy e seu pai, aventuras amorosas.

O grande jogo de Billy Phelan tem todos os elementos de um filme de gângster – um chefão local, personagens arrivistas, uma moralidade cambiante, um mundo de bebida, jogo e corrupção – e faz lembrar O poderoso chefão. A narrativa adota um tom intimista e evita a narração distanciada que daria um plano geral da ação. O sequestro de Charlie Boy e a atuação violenta do clã McCall, por exemplo, não são mostrados diretamente. O que se mostra é a tensão que isso provoca na vida dos personagens. Martin tem que convencer seu redator-chefe a não divulgar uma notícia antes da hora para não atrapalhar a investigação da família McCall. Phelan tem que escolher entre seguir seu próprio código de conduta, que preza a independência e abomina a delação, ou colaborar com uma causa que era razoável e ameaçava a vida de alguém de seu círculo de relações pessoais.

Além de mais de dez romances, William Kennedy (1928) escreveu peças de teatro e livros infantis. Em 1984, ganhou o prêmio Pulitzer de literatura por Ironweed, e é integrante da American Academy os Arts and Letters. Para o escritor norte-americano T.C. Boyle, “Kennedy tem o poder de observar detidamente o passado, enchê-lo de vida e torná-lo incontornável”.