História do pranto

Lançado em: agosto/2008


Título do Livro

apresentação do livro


O passado sempre presente




Novo romance de Alan Pauls, autor de O passado, usa testemunho vertiginoso de um garoto que acreditava ser o Super-Homem para recuperar história da esquerda argentina dos anos 70

História do pranto, de Alan Pauls, um dos grandes nomes da literatura argentina atual, com uma bem sucedida participação na FLIP 2007, mescla de modo original o romance psicológico e a novela política.

O livro, que tem como subtítulo a expressão "um testemunho", acompanha as primeiras fases da vida de um filho de pais divorciados de classe-média em Buenos Aires, personagem para quem poderia ter sido cunhada a conhecida afirmação: "Quem não é comunista antes dos 30 não tem coração; quem é comunista depois dos 30 não tem cérebro". O problema do protagonista desse pequeno grande livro é que tem ambos, coração e cérebro, bem antes dos 30. Tornando-se, assim, um esquerdista gauche...

O resultado é, a seu modo, bem-humorado. A passagem sobre o cantor de protesto que faz um show intimista depois da volta do exílio, por exemplo, é magistral como sátira, retrato e literatura.

Mas nem tudo é política no livro, descrito pela crítica argentina como exemplo refinado de literatura "psicobolche", isto, é, psicológica & "bolchevique": "Revisa uma educação ideológico-sentimental em que coexistem o Super-Homem, um repugnante cantor de protesto, uma namorada chilena de direita, uma piscina com um polvo no fundo, um oligarca torturado e um vizinho militar que talvez não seja o que parece. Um romance que reexamina os velhos tópicos dos 70 - a clandestinidade, os vidas duplas, o sacrifício -, à luz de um cruzamento equívoco mas fértil: aquele entre os sussurros da intimidade e os estrépitos da política".

Tudo isso vazado no estilo mais do que peculiar de Alan Pauls, feito de longos parágrafos cujo ritmo, porém, é rápido, em função da articulação das muitas frases que os compõem. Uma rara integração entre descrição, sem a qual não há narrativa, e digressão, sem a qual não há a inteligência ferina do autor.

Alan Pauls é um dos principais representantes de uma literatura que, sob o risco da imitação ou da afasia, teve de se haver com a herança tão poderosa quanto difícil de Borges. Pauls resolveu o problema sendo Pauls. Isto significa ter enfrentado o desafio de criar o próprio estilo. O que talvez explique o vigor propriamente literário da atual ficção argentina.