Lançado em: agosto/2009
apresentação do livro
Uma história visual do design gráfico

Imagem de The Language of Graphics, de Edward Booth-Clibborn e Daniele Baroni, um dos destaques de BiblioGráfico.
Lançamento mundial: Agosto 2009
Um livro feito de livros, BiblioGráfico é um mosaico vivo e variado de mais de cem anos de design gráfico. A edição reúne uma centena de títulos que marcaram a produção editorial da área nos séculos xx e xxi, incluindo desde monografias recentes de designers destacados até preciosidades há muito esgotadas e totalmente inacessíveis ao público brasileiro. Com lançamento simultâneo no mundo todo em agosto de 2009, o livro chega também ao Brasil em sua primeira edição.
A seleção do designer e bibliófilo inglês Jason Godfrey contempla os títulos que foram importantes fontes de referência nas artes gráficas em diferentes períodos, e muitos deles se tornaram emblemáticos de determinadas épocas ou estilos. A busca por edições visualmente interessantes foi um dos critérios que o autor utilizou para a seleção das obras, o que torna este livro um belo exemplo do design editorial em si mesmo.
Além de reproduções impecáveis que mostram as capas e imagens das páginas internas mais significativas, cada volume tem seus detalhes bibliográficos descritos minuciosamente: título, autor, editora, data e local da publicação, formato, número de páginas, créditos etc.
Os livros mais antigos citados em BiblioGráfico são dois catálogos de espécimes tipográficos: o da American Type Founders Company (ATF), de 1906, e o dos fundidores franceses Deberny & Peignot, de 1926. Muitas empresas os produziam para anunciar seus produtos tipográficos à indústria da impressão. Sua importância não se limita ao seu uso como ferramentas de referência tipográfica histórica, mas também como memória das origens da profissão de designer. Outros exemplos importantes são Alphabet Thesaurus Nine Thousand (1960), da Photo-Lettering Inc., e o livro da Letraset (c. anos 1970), que eram instrumentos de trabalho imprescindíveis nos
anos 1970.
A edição é organizada em seis partes: “Tipografia”, “Livros de referência”, “Didáticos”, “Histórias”, “Antologias” e “Monografias”. Em cada seção estão relacionados os títulos fundamentais da área, dispostos em ordem cronológica pelas datas de sua publicação.
Em “Tipografia”, destacam-se algumas importantes compilações, como American Wood Type: 1828-1900 (1969), de Rob Roy Kelly, e Modern and Historical Typography (1946), de Imre Reiner. Livros que trazem experimentos tipográficos também são comentados aqui, como A Constructed Roman Alphabet (1982), de David Lance Goines, e Igarashi Alphabets (1987), de Takenobu Igarashi.
Entre os “Livros de referência” estão citados, entre outros, Handbook of Designs and Devices (1932), de Clarence P. Hornung, reimpresso constantemente até hoje desde sua primeira publicação, há 70 anos. Já Symbol Sourcebook (1972), de Henry Dreyfuss, e Handbook of Pictorial Symbols (1976), de Rudolf Modley, são exemplos de fontes indispensáveis de símbolos gráficos utilizados até hoje.
Na seção de livros “Didáticos”, estão publicações concebidas pelos mais destacados professores da área. Entre eles estão Graphic Design Manual (1965), de Armin Hofmann, que traz análises da forma gráfica e exercícios ainda usados atualmente no ensino de design, e Layout in Advertising (1928), de W. A. Dwiggins, um dos primeiros títulos a explicar o papel e os métodos da nova profissão. Assim como o pequeno guia Typography: Basic Principles (1963), de John Lewis, importante por priorizar o entendimento da história do design gráfico antes de sua prática.
Já em “Histórias”, o grande destaque é para o clássico A History of Graphic Design (1983), de Philip B. Meggs, que a Cosac Naify publica pela primeira vez no Brasil ainda este ano. Considerado a “bíblia” da história do design, o livro percorre toda a trajetória do design gráfico, das formas mais antigas de escrita até o presente. Outro título citado nesta seção é uma referência na área de levantamento iconográfico: The Language of Graphics (1990), de Edward Booth-Clibborn e Daniele Baroni, praticamente insuperável até hoje, com seu projeto gráfico supersaturado de cores e imagens.
Na seção “Antologias” são relacionados livros de designers gráficos, publicações essencialmente contemporâneas e representativas de seu próprio contexto histórico: Seven Designers Look at Trademark Design (1952), editado por Egbert Jacobson, que aborda uma crescente presença da identidade corporativa, e Graphic Design: Visual Comparisons (1963), de Alan Fletcher Colin Forbes e Bob Gill, que aponta para o início de uma diversificada indústria internacional do design.
Por fim, na seção “Monografias”, vemos o inspirador Thoughts on Design (1947), de Paul Rand, obra que definiu o padrão para as monografias posteriores sobre design gráfico não como meros portfólios de trabalhos, mas apresentações de pontos de vista e intenções bem definidas de seus autores. Destacam-se também Weingart: Typography (2000), com as incursões de Wolfgang Weingart na tipografia e Robert Brownjohn: Sex and Typography (2005), de Emily King, um relato trágico da vida de Robert Brownjohn em sua luta contra o vício.
No prefácio da edição, o diretor de arte e editor especializado em design gráfico Steven Heller comenta que os clássicos compilados por Jason Godfrey em BiblioGráfico “são depositários inexplorados de conhecimento sobre as artes gráficas, tão relevantes hoje como em sua primeira edição. É revelador perceber como evoluíram os livros sobre o assunto desde o tempo em que a cor era uma extravagância cara.” Para ele, as publicações comentadas no volume são tão essenciais para a prática do design e seu estudo teórico, como são também verdadeiros “relicários de cultura popular”.
DESIGN NA COSAC NAIFY
Era uma vez uma capa, de Allan Powers
ABC da Bauhaus: a Bauhaus e a teoria do design, de Ellen Lupton e J. Abbot Millar
História do design gráfico, de Phillip Meggs