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Khadji-Murát
Khadji-Murát
Lançado em:
março/2010
apresentação do livro
A Rússia na palma da mão
Um dos momentos máximos da ficção de
Liev Tolstói
, considerado um dos maiores escritores da literatura russa,
Khadji-Murát
é o sexto volume da coleção
Russinhos
, que publica pequenas obras-primas de grandes autores russos. A obra – a última escrita pelo autor – foi publicada logo após sua morte na Rússia, em 1910, e ganha tradução de
Boris Schnaiderman
, diretamente do original russo.
A história, que “tem algo de violentamente cinematográfico”, como afirma Schnaiderman no prefácio do livro, narra a saga verídica do guerreiro tchetcheno que se alia aos inimigos na geografia física e social do Cáucaso do século XIX.
Conhecido por seus vastos romances, como
Guerra e Paz
e
Anna Kariênina
, Tolstói “expõe as contradições autodestrutivas do indivíduo e (...) concentra em miniatura todo um vasto painel humano”, como escreve o crítico Nelson Ascher na orelha do livro. A edição inclui ainda glossário de termos russos e quarta capa de Vadim Nikitim.
Um Tolstói orientalista
História e memória são as matérias-primas desta narrativa que põe em cena o líder rebelde caucasiano Khadji-Murát em sua luta contra a incorporação da Tchetchênia e do Daguestão pelos russos. A região até hoje é foco de instabilidade política, o que dá uma surpreendente atualidade a este livro publicado em 1910.
Foi no agreste Cáucaso que o jovem Liev Tolstói serviu como oficial do exército, décadas antes; a experiência repercutiria em seus últimos dias, quando o escritor, agora um ativista em prol dos perseguidos pelo regime czarista, voltou a interessar-se por aquele povo infenso à dominação imperial.
Estamos em território russo, mas o cenário não é aquele a que estamos habituados. Não se trata dos personagens aristocráticos que falam francês e desfilam pelos salões de Moscou e Petersburgo, nem dos mujiques, soldados e outros tipos populares eslavos que povoam as narrativas de Tolstói.
O escritor aqui é um orientalista que se mostra fascinado pela marca da cultura islâmica em pleno Império Russo, e que está simbolizada na capa do livro, com a imagem de uma espada curva que mimetiza o Crescente. A espada, típica dos guerreiros da região, faz parte do acervo do Museu Hermitage.
A síntese da obra
Em seu prefácio, Boris Schnaiderman aponta
Khadji-Murát
como “uma síntese entre o que Tolstói realizara em
Guerra e paz
e as suas novelas”. Khadji-Murát é uma de suas narrativas breves mais bem realizadas, ombreando com Padre Sérgio, Sonata Kreutzer e A morte de Ivan Illitch, mas permanece como uma espécie de segredo compartilhado entre poucos e felizes leitores.
A redação de
Khadji-Murát
ocupou o escritor entre 1896 e 1904, é um exemplo de concisão. Reelaborados e reescritos à exaustão, os manuscritos encontrados após a morte do autor somavam 2.166 páginas – a tradução brasileira não passa de duzentas.
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