Ah, se a gente não precisasse dormir!
Lançado em: julho/2010
apresentação do livro
Keith Haring vibrante

Após o sucesso de O livro da Nina para guardar pequenas coisas, a Cosac Naify coloca novamente a arte contemporânea em pauta. Ah, se a gente não precisasse dormir! traz obras de Keith Haring comentadas por quem entende do assunto: as crianças. De maneira totalmente despretensiosa – e com muita criatividade –, meninos e meninas de cinco a quinze anos dão a sua interpretação para alguns dos trabalhos mais representativos do artista pop norte-americano.
A pintura ao lado, por exemplo, aos olhos dos pequenos admiradores, pode ser “o boneco que pula da caixa-surpresa”, uma pessoa “muito grande e forte por fora, mas por dentro ela é bem fraquinha e muito sensível, e está toda cheia de emoções”, ou ainda retratar esta situação: “É o seguinte: tem este cara e ele foi à loja comprar calças. Ele gostou de três, e aí o vendedor disse: ‘Por que você não leva todas?’. E foi isso que ele fez”. Como dizia Haring, cabe a cada um decidir o significado.
Além dos depoimentos das crianças, para cada imagem há um texto orientativo e perguntas direcionadas ao leitor: “Qual é a sua sensação ao ver isto?”; “Que emoções esta pintura provoca em você?”. Um estímulo à percepção visual e ao olhar reflexivo para as obras de arte.
O livro reserva ainda algumas páginas para uma breve apresentação biográfica de Keith Haring, seu interesse por desenho desde a infância, os primeiros trabalhos em giz nas estações do metrô de Nova York e a fama repentina.
A proposta de Ah, se a gente não precisasse dormir! é abordar a obra de um artista contemporâneo de forma também contemporânea: a experiência estética infantil traz um caráter fenomenológico ao livro, inusitado e empolgante. Elas não estão preocupadas com a relação das cores, o tamanho do traço – Keith Haring sempre quis que seu trabalho contivesse mensagens e narrativas. As crianças captam isso e constroem suas próprias histórias.
A edição brasileira conta com uma reportagem inédita de Mario Cesar Carvalho, sobre Keith Haring e sua relação com o Brasil, país que ele visitou diversas vezes. O jornalista colheu depoimentos de Ivo Mesquita, Rui Amaral e Fabiana de Barros, entre outros, para resgatar a influência dele sobre os artistas brasileiros e as obras que pintou aqui, como o muro próximo à avenida Sumaré, que hoje não existe mais. Há ainda imagens exclusivas de outros trabalhos feitos no país – incluindo a confecção do painel que figurou na Bienal de 1983 – e outros inspirados na capoeira ou em nossas florestas. Quem assina a quarta capa é a dupla de grafiteiros Osgemeos:
“Keith Haring foi sem dúvida um dos artistas da arte pop mais consagrados internacionalmente. Com seu trabalho, atravessou barreiras, superou várias dificuldades e conquistou o mundo. Uma arte alegre, questionadora e divertida, com traços fortes e linguagem direta, que somou muito para a cena do grafite em Nova York nos anos 1980”.
Em entrevista para a revista Rolling Stone, perto do fim da vida, ao ser perguntado se as coisas triviais o estavam chateando cada vez mais, Haring disse que, para ele, nada na vida era trivial: “Ah, se a gente não precisasse dormir! [...] Tudo é divertido, tudo faz parte do jogo”. Desta declaração foi retirado o título deste livro que, como Keith, é repleto de leveza e ironia, inventividade e energia.