Lançado em: setembro/2009
apresentação do livro
Henri Cartier-Bresson: o livro definitivo do grande fotógrafo do século XX

A Cosac Naify e as Edições SESC-SP lançam o livro definitivo do maior fotógrafo do século XX. Henri Cartier-Bresson: fotógrafo é a síntese do trabalho do homem que revolucionou a fotografia. Em 45 anos de carreira, Cartier-Bresson criou um estilo único e desenvolveu importantes teorias, como a do “instante decisivo”, além de ser um dos pais do fotojornalismo contemporâneo, ao lado de Robert Capa, com quem fundou a Agência Magnum.
As imagens captadas pelas lentes de sua Leica deram um novo sentido ao cotidiano das cidades de uma Europa assolada pela guerra, assim como nos retratos de pintores e escritores. Como repórter fotográfico, viajou pelo mundo registrando momentos decisivos da história – da vitória dos comunistas na China ao último retrato de Gandhi, minutos antes de seu assassinato.
Henri Cartier-Bresson: fotógrafo, publicado em 1979, traz 155 fotos selecionadas pelo autor para representar sua extensa produção. No livro, Bresson agrupou as imagens em seis módulos, de forma inesperada e surpreendente. Se em livros anteriores, como Les Danses à Bali (1954), D’une Chine à l’autre (1954) e Vive La France (1970), sua obra era apresentada em recortes temáticos específicos, em Henri Cartier-Bresson: fotógrafo, ele abre espaço para a reflexão do leitor, convidado a estabelecer relações inéditas e pessoais sobre as fotos. Segundo Augusto Massi, editor da Cosac Naify e autor do texto que apresenta o livro, Bresson opta por promover o encontro de duas realidades distantes, ao invés de estabelecer um critério cronológico e de antologia ao volume.
Massi ressalta ainda seu caráter de “obra aberta”: “O módulo de abertura está sob o signo da rua (...) a maioria das fotos privilegia lugares de passagem, entroncamentos, pessoas em trânsito ou abandonadas no solo comum da experiência urbana, sejam figuras famosas ou anônimas, intelectuais ou prostitutas, animais ou crianças. Já o segundo módulo nos leva da cidade ao campo, da velhice à infância, da arte à natureza. O terceiro nos remete a manifestações de ordem política (...). A partir do quarto módulo fica claro que Bresson introduz a técnica do contraponto (...) o registro de rituais da vida religiosa é contraposto a imagens prosaicas de casais, mesclando sagrado e profano. O mesmo procedimento está presente no módulo seguinte, que muito embora seja dedicado à arte do retrato – Faulkner, Truman Capote, Bonnard, Giacometti, Ezra Pound, Matisse – os apresenta intercalados por paisagens que sugerem um diálogo entre a natureza interior do artista e a realidade física do mundo”. No último módulo, impera o senso de humor do fotógrafo, “composto por distintas gradações, que oscilam entre o comentário cáustico sobre a tecnologia e o elogio do ócio, entre a irônica observação da burguesia americana e a joie de vivre francesa”.
Um dos principais poetas da língua francesa hoje, Yves Bonnefoy também contribui para a compreensão da obra de Bresson no prefácio assinado por ele através do qual guia o leitor por novas e diversas interpretações, como a que revela o caráter menos histórico e mais metafísico das fotos do autor. “Cartier-Bresson encontrou-se ao longo da vida no coração dos acontecimentos mais marcantes da época, na Alemanha por ocasião da abertura dos campos, na China no fim do Kuomintang e, depois, na ascensão de Mao, e ao lado de Gandhi a poucos instantes de sua morte ou durante os primeiros protestosno Alabama. Mas seria compreendê-lo muito mal pensar que ele privilegiou esses momentos por seu valor histórico, como o faria o fotógrafo de reportagem, pois também é sua lição que uma anciã à porta de casa tem o mesmo peso que o exército em marcha ou o sábio que vai morrer, e que também não é porque ela se cobre com a bandeira estrelada que é preciso buscar ali uma imagem da América, pois a bandeira dissipa o seu significado nessa equivalência de tudo a tudo que Cartier-Bresson faz ascender de suas sondagens. O acontecimento pode estar lá, na foto, mas é como que deslocado por 'alguns milímetros' metafísicos que bastarão para desfazer sua primazia sobre a vida.”
Henri Cartier-Bresson: fotógrafo é um convite e um elogio do artista à capacidade do leitor de descobrir por si próprio as inúmeras possibilidades de interpretação de sua própria obra.
O imaginário a partir da natureza
[Texto de Cartier-Bresson reproduzido na quarta capa do livro]
A câmera fotográfica é para mim um caderno de esboços, o instrumento da intuição e da espontaneidade, o mestre do instante que, em termos visuais, ao mesmo tempo questiona e decide. Para “significar” o mundo é preciso sentir-se implicado naquilo que se recorta através do visor. Essa atitude exige concentração, sensibilidade, um senso de geometria. É por uma economia de meios e, principalmente, um esquecimento de si que se chega à simplicidade de expressão. Fotografar: é prender o fôlego quando todas as nossas faculdades convergem para captar a realidade fugidia; é aí então que a apreensão de uma imagem é uma grande alegria física e intelectual. Fotografar: é num mesmo instante e numa fração de segundo reconhecer um fato e a organização rigorosa das formas percebidas visualmente que exprimem e significam esse fato. É pôr na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração. É um modo de viver.
Exposição Henri Cartier-Bresson: fotógrafo
De 17 de setembro a 11 de novembro
SESC Pinheiros [SP]
A mostra Henri Cartier-Bresson: fotógrafo, (parceria do SESC-SP e da Fundação Henri Cartier-Bresson) é um dos destaques do Ano da França no Brasil. As 133 fotografias tem curadoria de Eder Chiodetto e pertencem ao acervo da agência Magnum, fundada pelo fotógrafo em 1947, além de estarem na edição do livro.
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