Clifford e a hora do banho (vol. 4)



Ilustração






Lançado em: dezembro/2004
entrevista: Norman Bridwell


Clifford, o maior cão do mundo


Clifford nasceu como o menor animal da ninhada, mas o carinho de sua dona Emily Elizabeth fez com que crescesse demais. A singela história do “cachorrão vermelho” começou nos anos 1960, quando Norman Bridwell, que trabalhava como desenhista para televisão, resolveu levar seus desenhos para editoras de livros infantis. Publicou o primeiro volume e, desde então, são mais de 80 títulos, que já venderam cerca de 100 milhões de exemplares apenas nos Estados Unidos. 

Ensinando seus pequenos leitores a brincar com os colegas, ou a respeitar horários de dormir e de tomar banho, Bridwell criou um melhor amigo para as crianças em seus primeiros anos de aprendizado escolar. Talvez por isso o sucesso do maior cão do mundo jamais tenha cessado – Clifford foi traduzido para diversos idiomas e tornou-se seriado de televisão, por aqui já transmitido pela TV Cultura e, atualmente, exibido nos canais Discovery Kids e TV Brasil. Nesta entrevista exclusiva ao Portal da Cosac Naify, dirigida especialmente às crianças, o autor revela diversas curiosidades sobre esse personagem tão especial. 


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Quando você descobriu que queria ser um artista?
Eu sempre brinquei com a arte. Depois do colégio, quando tinha 17 ou 18 anos, minha mãe me perguntou para qual universidade eu gostaria de ir. Respondi que queria cursar artes. – frequentei a faculdade durante quatro anos, depois fiz todo tipo de trabalho na área, até tecidos para gravata e fotolitos.
 
Como funciona seu processo criativo? Você tenta se colocar na posição dos jovens para os quais escreve?
Não. Eu apenas tento pensar no que poderia ser uma situação engraçada. Em seguida visualizo a cena e tento deixar o sentido da brincadeira o mais claro possível. Tento contar uma história divertida e simples.

Quando criança, quais eram os seus livros preferidos?
Eu gostava dos livros passados na terra de Oz, de L. Frank Baum (1856-1919), e das Aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi (1826-90).

Quais são os seus autores preferidos hoje? Eles influenciam seu trabalho?
Meu primeiro editor sugeriu que eu não lesse muitos livros infantis, para evitar que me influenciassem. Gosto muito de Jane Yolen (1939 -) e Martin Provensen (1916-1987). Adoro as histórias de animaizinhos de Richard Scarry (1919-94) também, suas ilustrações são espetaculares. Meu filho Tim adorava esses livros.

Você mantém contato com seus leitores?
Isso era possível quando visitava as escolas. Até hoje, quando faço sessões de autógrafo, encontro um monte de crianças. Fico muito contente quando vejo uma criança reagir ao livro com sorrisos e entusiasmo. Alguns dos meus primeiros leitores agora têm mais de 40 anos. Quando estive internado no hospital, dois dos médicos que me atenderam eram leitores da coleção Clifford.

De onde surgem as ideias para os livros do Clifford?
No começo, eu pensava nas coisas comuns que as crianças esperam de seus cães, como aprender truques ou seguir o dono pela rua. Clifford fazia as mesmas coisas que qualquer outro cachorro. Em certo momento, comecei a escrever livros sobre as férias, comecei a diversificar os enredos.

Quanto a Clifford, o filhotinho vermelho, as crianças me perguntavam de onde o personagem vinha, e eu precisei pensar sobre isso. Ele tinha que ser o único cachorrão do mundo, então não podia ter mãe, pai, irmãos e irmãs gigantes.

Quanto de comida o Clifford costuma comer?
Cerca de dez sacos grandes de ração para cachorro e duas latinhas como petisco para depois do jantar. 

Por ser um cachorro tão grande e um pouco desastrado, como Clifford faz para não se machucar em aventuras como O cachorro bombeiro
Ele está em boa forma. Se exercita bastante e seus músculos são muito fortes. 
 
Como o Clifford foi educado? Foi muito difícil, por causa de seu tamanho?
Não, ele não teve grandes dificuldades em aprender bons modos porque Emily queria muito que ele os aprendesse, e ele queria agradá-la, então se esforçou bastante. 

O tamanho gigante e o jeito desengonçado de Clifford já lhe trouxe problemas?
Algumas pessoas não o entendem no começo. Mas os que se aborrecem com ele logo aprendem a amá-lo. 

Quem é o veterinário do Clifford?
O Clifford vai sempre ao seu veterinário preferido – ele se cuida direitinho e, todas as vezes que não se sente bem, vai ao médico. Não quero revelar seu nome porque  já tem toda a fama de que precisa. 

O Clifford é um cachorro único. Será que algum dia ele irá encontrar uma namorada de seu tamanho?
Até agora, o Clifford não encontrou a namorada ideal. Não sabemos ainda se existe outro cachorro tão grande no mundo.