As aventuras de Pinóquio: História de um boneco - Edição Especial



Ilustração






Lançado em: dezembro/2011
entrevista: Ivo Barroso


O desafio de traduzir Pinóquio


A nova tradução de As aventuras de Pinóquio: História de um boneco ficou a cargo de Ivo Barroso. A seguir, o tradutor de T. S. Elliot, Shakespeare e Italo Calvino (entre muitos outros) fala de suas impressões sobre a obra e quais foram seus principais desafios.


Qual era a sua lembrança do livro As aventuras de Pinóquio? E, após a tradução, o que mudou de sua percepção quanto ao livro?


Em criança, li o Pinóquio certamente em alguma adaptação, nunca no texto integral. Minha referência principal era o filme de Disney. Quando finalmente conheci o original, vi a grandiosidade do texto e a infantilidade fragmentária que era o filme.


No posfácio do livro, Italo Calvino – de quem você já traduziu diversas obras – comenta que Pinóquio influenciou a própria escrita dele. O senhor vê alguma semelhança entre a obra de Calvino e a de Collodi?

Vejo, numa certa ironia das frases, na leveza e precisão do estilo.


Vemos que sua tradução, de forma muito elegante, conseguiu manter o delicioso ritmo de folhetim do livro, associado a uma linguagem refinada e límpida. Quais foram os maiores desafios desta tradução? Considera que outras versões adaptadas descaracterizaram a peculiaridade do texto?

De certa forma, descaracterizam pois suprimem o estilo, a cadência e o vocabulário das frases, a elaborada “simplicidade” da narrativa. O maior desafio foi manter tudo isto e não recorrer jamais à deformação do aggiornamento, com uso de gíria e expressões de nossos colegiais de hoje. Collodi é um clássico, alheio ao tempo, que agrada a crianças e adultos de todos os países e épocas, mas seu texto precisa ser respeitado.


Há nesta edição um mapa com nomes de lugares incríveis por onde Pinóquio passa. A Hospedaria do Camarão Vermelho, o País dos Beócios, a cidade de Enganatrouxas e a Ilha das Abelhas Operárias são alguns deles. Como foi traduzir estes nomes? Houve inspiração em alguma outra referência?

Foram sugeridos pelos próprios nomes italianos, com pequenas adpatações. Só “colaborei” de fato no nome do cão infiel do agricultor (Melampo, no original) que transformei em Mendazo (de mendaz, mentiroso, em português clássico).


No País dos Folguedos jogava-se birosca, malha, bola; alguns andavam de velocípede, brincavam de engolir fogo vestidos de palhaços, davam saltos-mortais. Quando jovem, o senhor tinha um folguedo preferido? Ou algum país assim, para onde fugir da realidade?

Sim, O Tesouro da Juventude, que meu pai me deu quando fiz sete anos.