Antropologia da face gloriosa

Lançado em: novembro/2003


Título do Livro

saiu na imprensa

Autor: Arthur Omar

palavras-chave:


  • 28/03/1998
    Folha de S. Paulo | Ilustrada
    Anônimos exibem Carnaval
    Celso Fioravante

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  • Durante mais de 20 anos, o artista multimídia Arthur Omar percorreu o Carnaval carioca coletando cerca de 10 mil imagens. Dessas, selecionou 161, reunidas agora no livro "Antropologia da Face Gloriosa" (editora Cosac & Naify), que tem lançamento amanhã no Ática Shopping Cultural, a partir das 18h. A edição é bilíngue (português-inglês).

    Engana-se, porém, quem pensar que vai encontrar nele um rosário profano de sexo, suor e cerveja ou mesmo o rosto de Lumas, Adrianas e Miguéis.

    O corpo em transe dionisíaco (ou publicitário) cede lugar no livro a rostos, olhos, bocas e dentes anônimos.

    Realizadas entre 1973 e 1996, as fotografias, todas em preto-e-branco, funcionam como máscaras de um teatro trágico, fotogramas de um filme todo de êxtase.

    "Em "Antropologia", o rosto se torna um campo de batalhas transcendentais", escreve a pesquisadora de artes visuais Ivana Bentes em texto no livro.

    Metáfora

    "Antropologia" é de uma ousadia única, quase inaceitável pelo mercado brasileiro. Nele, a mais emblemática manifestação cultural brasileira perde o rebolado e ganha a metáfora.

    Mesmo os títulos das fotos, que normalmente são esclarecedores, em "Antropologia" são perturbadores. Questionam a própria visão do espectador ao colocar a ambiguidade em primeiro plano. O lânguido olhar de um travesti, por exemplo, vira, na página 160, "O Terror dos Goleiros Aristotélicos", e um índio viril torna-se "Rosto Oculto por Cortinas Invisíveis" (página 89).

    Vídeo

    Em "Antropologia", Arthur Omar realiza o milagre da transmutação da matéria ao transformar o corpo em poesia.

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