Henri Cartier-Bresson: fotógrafo

Lançado em: setembro/2009


Título do Livro

saiu na imprensa

Autor: Henri Cartier-Bresson

Organização: Robert Delpire

palavras-chave:


  • 16/09/2009
    O Globo | Segundo Caderno
    Ensaio por imagens
    André Miranda

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  • O paralelo entre a vida e a arte na Grécia; a composição de retas diagonais numa rua da França; um retrato, de um jovem Truman Capote, aos 23 anos; crianças numa cena do cotidiano parisiense; e uma paisagem quase simétrica. Imagens de propostas distintas cujos pontos em comum são a excelência em sua execução e o crédito de seu autor, Henri Cartier-Bresson.

    O francês Cartier-Bresson, morto em 2004 e cujo centenário de nascimento foi celebrado no último 22 de agosto, foi considerado um revolucionário da fotografia por conseguir unir informação e estética numa mesma imagem, capturando com sua lente - frequentemente uma 50 milímetros de uma câmera do modelo alemão Leica - o que ele chamava de "o momento decisivo" de uma cena. Agora, 155 desses momentos, selecionados pelo próprio artista, em 1979, chegam ao Brasil na primeira edição nacional do livro "Fotógrafo" (com prefácio escrito pelo poeta francês Yves Bonnefoy, traduzido por Célia Euvaldo), que a Cosac Naify acaba de publicar em parceria com a Edições Sesc-SP.

    Destaque para aspecto autoral da montagem
    A obra é dividida em seis módulos, sem respeito a uma ordem cronológica. Na publicação original, nem ao menos havia uma explicação de Cartier-Bresson ou do editor francês Robert Delpire, que ajudou o artista a organizar o livro, sobre o porquê da sequência escolhida.

    - Pesquisei para entender os módulos, mas não achei bibliografia que tratasse do assunto. Então fiz um exercício para tentar explicar a divisão. Foi a primeira vez que pegaram um grupo de fotos e deram para o próprio Cartier-Bresson escolher quais ele preferia e de que forma elas deveriam estar na publicação. É um aspecto autoral da montagem, com uma seleção muito precisa - afirma o poeta e editor Augusto Massi, diretor-presidente da Cosac Naify e autor da orelha do "Fotógrafo".

    Em seu texto, Massi explica que o primeiro módulo traz imagens de pessoas em trânsito no espaço público das ruas. O segundo alterna cidade e campo, velhice e infância, arte e natureza. O terceiro é marcado por fotografias de conotação política, como um campo de refugiados na Alemanha. No quarto, a intenção do artista teria sido contrapor o sagrado e o profano a partir de imagens religiosas e de cenas de casais. Já o quinto módulo intercala retratos (como o do escritor William Faulkner, do artista plástico Henri Matisse, do poeta Ezra Pound, do cineasta Robert Flaherty e de Capote) com paisagens, criando o que Massi chama de "diálogo entre a natureza interior do artista e a realidade física do mundo".

    Exposição do artista abre amanhã, em São Paulo
    Já o último módulo, para o poeta, invocaria o senso de humor do fotógrafo. É nesta seção que está, por exemplo, a foto do arteiro menino carregando duas garrafas.

    - É tão rica a capacidade de senso estético das fotos que a gente esquece o porquê de elas terem sido feitas. O Cartier-Bresson escreveu uma história polífica do século XX. Ele foi um homem que quis compreender, não quis afirmar coisa alguma sobre o mundo. Eu o comparo ao ensaísta francês Michel de Montaigne. O Montaigne criou um tipo de olhar que não existia antes dele, de se poder analisar a vida sob algum ângulo e fazer disso uma análise universal. O Cartier-Bresson fez isso. Ele se posicionou sem ser dogmático. Todas as fotos são de um artista que olhou o mundo como uma crônica - diz Massi.

    Ainda sobre Cartier-Bresson, o Sesc Pinheiros, em São Paulo, dará início amanhã a uma mostra com 133 fotografias do artista, dentro das comemorações do Ano da França no Brasil. O evento terá ainda a exposição paralela "Bressonianas", com imagens de fotógrafos brasileiros influenciados pelo francês (Cristiano Mascaro, Carlos Moreira, Juan Esteves, Tuca Vieira, Flávio Damm, Orlando Azevedo e Marcelo Buainain), exibição de filmes e debates com pensadores e pesquisadores. A mostrs "Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo" segue até o dia 20 de dezembro.

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