Selma

Lançado em: março/2007


Título do Livro

saiu na imprensa

Autor: Jutta Bauer

Ilustração: Jutta Bauer

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  • 01/05/2010
    Vogue Kids
    Ao som dos beatles
    Cadão Volpato

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  • Assim como existe o Oscar para o cinema, o Grammy para a música e o Nobel para a literatura adulta, existe um prêmio que mobiliza toda a comunidade de escritores e ilustradores de livros infantis. É o Hans Christian Andersen, batizado assim em homenagem ao dinamarquês que escreveu fábulas inesquecíveis como O Patinho Feio, A Pequena Sereia e Soldadinho de Chumbo. Nome consagrado do universo infantil, Jutta Bauer ganhou em março o Hans de Ilustração. E ela merece cada centavo do prêmio. Nascida em 1955 em Hamburgo, Jutta é genial. Na minha opinião é quem mais se aproxima de um gênio maior ainda, o francês Jean-Jacques Sempé, criador do imortal Le Petit Nicholas, um garotinho minúsculo que vale a pena perseguir em qualquer publicação que seja, em qualquer língua.

    Os traços enganosamente simples de Jutta lembram muito Sempé. O humor meio desencantado também. O leitor deve se preparar para algumas surpresas narrativas, para personagens fora do esquadro, para sentimentos desviados do senso comum. Se não fosse uma autora de livros infantis, eu diria que ela é implacável. Li na sequência os quatro livros de Jutta lançados no Brasil, todos pela Cosac Naify. Vão aí algumas palavrinhas a respeito de cada um deles.

    Mamãe Zangada (2003): um pinguim leva uma bronca da mãe, aos berros, e seu corpo se estilhaça nas mais diversas direções. Qualquer pai ou mãe que já deu um grito daqueles com seu filho vai ficar balançado com essa história. Selma (2007): uma ovelha é feliz com a rotina besta de todo dia. O que é a felicidade? É uma pergunta que nós mesmos podemos fazer o tempo todo. Para Selma, a ovelha, ela está nas coisas simples. A Rainha das Cores (2002): um amarelo insubordinado deixa cinzenta a vida de uma rainha déspota. Ilustrado com lápis de cera, esse livrinho estimula a relação entre cores e comportamento. O Anjo da Guarda do Vovô (2003): o tema, aqui, passa pelo nazismo e o antissemitismo – ou seja, toca numa ferida sempre aberta da Alemanha. Mas há o toque magistral de Jutta, a delicadeza dos traços na linhagem de Sempé, e a história deixa uma sensação nostálgica depois que o livro é fechado. É como se a infância, esse território que pertence a todos nós, em todas as épocas, ficasse guardada na nossa cabeça para sempre.

    Pergunto a Jutta por que a opção por temas não muito comuns ao universo das histórias infantis: ovelhas que questionam de onde vem a felicidade, antissemitismo, rainhas despóticas, pais descontrolados. Ela diz que busca simplesmente ser realista. “E ser realista significa se preocupar com problemas reais como medo, o jeito como se toca a vida para a frente, ser forte em relação a alguma dificuldade. Você pode falar dessas coisas na forma de uma ovelha ou de um anjo – não importa. Existe aí mais espaço para a imaginação do que se eu abordasse esses assuntos falando do caminho que uma criança faz até a escola.”

    Como Jutta vive em Hamburgo, cidade industrial e portuária que foi muito importante na história dos Beatles (eles tocaram exaustivamente lá, antes da fama), e como sou músico também, pergunto se ela gostava da banda e o que acha do desenho Submarino Amarelo. “Engraçado você ter lembrado disso. Os Beatles foram das coisas mais importantes da minha adolescência. Claro que vi Submarino Amarelo! Quando comecei a escrever A Rainha das Cores ficava pensando: vou fazer algo parecido com Submarino Amarelo. Meus irmãos e eu sempre cantávamos a cançãotema enquanto lavávamos a louça, gritando dentro das xícaras e dos potes. Hoje em dia, sempre que escuto os Beatles, digo para mim mesma: uau, que música inteligente!”

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