O santo sujo - a vida de Jayme Ovalle

Lançado em: junho/2008


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O personagem encontra o autor




O escritor e jornalista Humberto Werneck. Foto: Nino Andrés

Por Wilson Figueiredo

[Texto publicado na Revista de Estudos Avançados do IEA/USP n. 64 2008]

Até que um escritor mineiro, encantado pelo que lia e ouvia, se dispusesse a levantar as circunstâncias humanas e sobrenaturais em meio às quais viveu Jayme Rojas de Aragón y Ovalle (1894-1955), o personagem esteve à disposição de quem se interessasse. Ninguém se apresentou. Meio século depois de sua morte, tinha de ser mineiro, Humberto Werneck percebeu a última oportunidade antes de se dissipar o efeito especial do personagem exclusivo de um tempo que deixou marcas. A credencial do biógrafo foi a autoria de O desatino da rapaziada, no qual levantou os antecedentes juvenis do grupo de escritores da segunda geração modernista em Minas, por sinal irmanados na admiração por Ovalle. O santo sujo é a biografia levantada por um escritor que se encontrou no jornalismo. Foi com o que um e outro — o jornalista e o escritor — têm de melhor que Humberto Werneck captou, isento de interpretações, o eco das lembranças de Ovalle entre os últimos personagens daquele Rio cujas águas também não passam duas vezes pelo mesmo lugar. E evitou que se dissipasse a memória da real belle époque da vida noturna carioca, antes da perda, pelo Rio, da condição de capital da República. [...]

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