Tchibum!

Lançado em: março/2009


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Meu primeiro tchibum!




Redação vencedora do concurso cultural Meu Primeiro Tchibum!

Minha primeira lembrança de mergulho aconteceu por volta dos meus quatro anos. Vivíamos as esperadas férias de janeiro e os primos sempre se reuniam na casa da vó, um universo feito de panelas de pipoca, gangorras, teatrinhos, campeonatos de cosquinha e várias outras delícias da infância. Numa tarde de calor, uma tia trouxe algo novo para a pequena grande turma: uma piscina de mil litros, daquelas azuis, bastante comuns. Só a montagem já foi motivo de festa, pois todas as crianças queriam ajudar.

Finalmente a piscina foi montada e começou o processo de enchê-la de água com a velha mangueira verde do quintal, muito utilizada para nossos banhos e produção de chuva nas brincadeiras. E então foi aquela confusão de biquínis, sungas, barcos de papel e bonecas de plástico dentro d’água. Quando consegui garantir meu minúsculo espaço naquela bagunça, fui molhando o corpo devagar até ficar submersa, num misto de surpresa e ansiedade.

Eram várias sensações novas e incríveis, como sentir a água fresquinha na pele, bater as pernas, fazer borbulhas, brincar com os cabelos molhados, abrir os olhos debaixo d’água, mergulhar a boneca... Tudo era mágico e não havia nada melhor do que aquela pequena piscina azul recheada de crianças. Nadei a tarde toda e ao ficar com os lábios roxos de frio e dedos enrugados, fui retirada da água por minha mãe. Ao sair dali, tive a plena certeza que queria ser sereia quando crescesse. 

Júlia Parreira Zuza Andrade, 26 anos, de Belo Horizonte (MG)