Cartazes musicais

Lançado em: março/2010


Título do Livro

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O design gráfico em sintonia com a música e as artes




Por Daniel Trench*

Kiko Farkas, um dos mais importantes e premiados designers brasileiros, criou durante quatro anos quase 300 cartazes para os concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). Boa parte deles está agora reunida no livro Cartazes musicais, em edição bilíngue português-inglês, que tem projeto gráfico do próprio artista e inclui ainda apresentação da designer norte-americana Paula Scher, criadora dos cartazes para o Public Theater de Nova York, além de textos do próprio Kiko Farkas, do crítico musical Arthur Nestrovski e do professor de design da ESDI e PUC-RJ João de Souza Leite.

Entre 2003 e 2007, Farkas foi o responsável pela comunicação visual da OSESP, na qual os cartazes seriam as peças-chave. Como veículo de comunicação pontual, as peças afixadas no foyer da Sala São Paulo tinham ali uma breve permanência e eram vistos apenas pelos que frequentavam a os concertos da orquestra. A reunião dessas peças gráficas documenta, agora, uma produção até então inacessível para aqueles que se interessam por design. Mas não só. Reunidos, os cartazes dão a dimensão do projeto encabeçado por Kiko Farkas e revelam que, para certas questões, não há apenas uma solução.

Ao longo das páginas, uma enorme gama de exercícios visuais traduzem graficamente o universo musical da orquestra. Tema, ritmo, proporção, métrica, harmonia, contraponto e tessitura são referenciados por meio de rearranjos de um rico repertório visual, afinado não apenas com a tradição do design gráfico mas também com a das artes plásticas, no qual círculos, quadrados, desenhos à traço, pinceladas, chaves, borboletas, imagens fotográficas e tipografia servem de matéria-prima.

Agrupados em núcleos formalmente temáticos, os cartazes reiteram o procedimento construtivo do designer, ao mesmo tempo que sugerem uma leitura em dois tempos. Podemos enveredar por uma investigação particular de cada uma das peças, ou, lançar um olhar em perspectiva, para então apreender a totalidade do projeto. E é aí, quando vistas em conjunto, que e as diversas soluções gráficas adotadas pelo designer afirmam a dimensão experimental dessa empreitada.

Dimensão essa já indiciada pelo texto de apresentação do próprio Kiko Farkas e reverenciada por um texto da designer norte-americana Paula Scher, uma das sócias do lendário estúdio Pentagram e conhecida, sobretudo, por seus cartazes criados para o Public Theater de Nova York.

Dois outros textos dão subsídios à leitura dos cartazes. No primeiro o crítico Arthur Nestrovski aproxima a produção do designer ao universo da música, e no segundo, o designer e professor da ESDI e da PUC-Rio, João de Souza Leite analisa e contextualiza os cartazes no âmbito do design e das artes visuais.


*Daniel Trench, designer, ilustrador de
Ainda temos tempo (Cosac Naify, 2006)