Em Léxico familiar, verdade e ficção, memória e tempo têm seus próprios significados. O romance narra a infância e juventude da romancista, dramaturga, ensaísta e ativista política italiana Natalia Ginzburg e sua convivência numa família burguesa, letrada e judia, em meio ao fascismo e à Segunda Guerra Mundial. Caçula de cinco irmãos, a menina recria o passado lembrando das frases repetidas em família (“entre nós, basta uma palavra, uma frase, para restabelecer de imediato nossas antigas relações”).
Com estilo refinado e minimalista, o corte de Ginzburg é seco. Nas cenas do dia-a-dia estão a lembrança da voz de trovão do pai, os estribilhos e as cadências de opereta da mãe, histórias como a do mezzorado, uma espécie de iogurte que o pai comia de manhã, ou das caminhadas dos irmãos pela neve.
Se por um lado, hiatos e silêncios habitam o livro (“nele há também muitas coisas que eu lembrava e que deixei de escrever”), por outro, figuras proeminentes da cena italiana aparecem com uma espantosa sem-cerimônia, como o editor Giulio Einaudi, o poeta Cesare Pavese, o historiador Luigi Salvatorelli, o escritor e pintor Carlo Levi e o industrial Adriano Olivetti (das máquinas de escrever).
A narradora mantém distância dos acontecimentos vividos. É uma prosa que avança por subtração, em que o elemento dramático e mesmo trágico ¬¬– a prisão dos irmãos, seu próprio confinamento com os filhos, a dispersão da família na guerra, a morte do primeiro marido, torturado na prisão – se dissipa no andamento rítmico da narrativa. Mesmo assim, não sendo nem alegre nem triste, o relato impacta o leitor.
Grande sucesso desde seu lançamento, em 1963, Léxico faniliar recebeu o mais importante prêmio literário da Itália, o Strega. Décimo primeiro volume da coleção Mulheres Modernistas, o livro tem tradução e notas de apoio de Homero Freitas de Andrade, posfácio esclarecedor do crítico italiano Ettore Finazzi-Agrò, indicações de leitura e fotos da autora.
NATALIA GINZBURG INAUGURA A ESCRITA ITALIANA ENTRE AS MULHERES MODERNISTAS
Natalia Levi Ginzburg nasceu em Palermo, em 1916. Pertenceu a um grupo intelectual da maior expressão da literatura e crítica italiana, do qual fazia parte Cesare Pavese, Italo Calvino, Elio Vittorini, Giulio Einaudi e Eugenio Montale. Seu primeiro marido, Leone Ginzburg, foi morto numa prisão romana em 1944. Um dos filhos do casal é o renomado historiador Carlo Ginzburg, conhecido pela obra O queijo e os vermes (Il formaggio e i vermi, 1976) e autor da introdução feita especialmente para a edição brasileira do livro Piero della Francesca, de Roberto Longhi, publicado pela Cosac Naify, em 2007. Natalia casou-se depois com o crítico literário Gabriele Baldini. Integrou o Partido Comunista, foi ativista política e deputada.
Escritora notável, obteve grande reconhecimento na Itália e no exterior, tendo sido traduzida para o inglês, alemão, espanhol e francês. Trabalhou na editora Einaudi, em Turim, foi tradutora, entre outros, de Marcel Proust e de Gustave Flaubert e publicou seu primeiro romance em 1942, sob pseudônimo. Léxico familiar inaugura a publicação de Natalia Ginzburg pela Cosac Naify, que lançará outros títulos da autora, tais como Caro Michele e A família Manzoni. Como diz Italo Calvino, Natalia escreveu o maior ensaio literário sobre o poeta Cesare Pavese: “Retrato de um amigo”, que faz parte do seu livro, As pequenas virtudes [Le piccole virtù], a ser também publicado por esta editora. Dentre os seus ensaios, são conhecidos os prefácios que fez a livros da literatura russa, como Anna Kariênina e Ressurreição, de Tolstói.
COLEÇÃO MULHERES MODERNISTAS
Grandes escritoras da literatura moderna, em edições que trazem capas estampadas por padrões de tecidos que remetem ao universo de cada autora. Os volumes incluem fotografias, bibliografias, notas e textos críticos com informações importantes sobre as circunstâncias em que cada obra foi escrita, apontando intercruzamentos entre a biografia da autora e sua produção.
CONTOS COMPLETOS
VIRGINIA WOOLF
Tradução: Leonardo Fróes. Organização: Susan Dick.
Capa dura; 16 x 22 cm; 472 páginas; 2 ilustrações; R$ 69,00
ISBN 85-7503-400-6
Reúne pela primeira vez os contos completos de Virginia Woolf (1882-1941), uma das maiores autoras inglesas do século XX. Escritora modernista por excelência, Virginia reinventa a narrativa de forma a quase sempre fugir da descrição de uma ação linear.
CONTOS
KATHERINE MANSFIELD
Tradução: Carlos Eugênio Marcondes e Alexandre Barbosa de Souza
Capa dura; 16 x 22 cm; 288 páginas; 3 ilustrações; R$ 49,00
ISBN 85-7503-399-9
Katherine Mansfield (1898-1923) teve uma vida breve e uma trajetória errática na atmosfera vitoriana em que viveu meros 34 anos. Influenciada por Tchekhov, admiradora de Joyce e admirada por Virginia Woolf, a escritora neozelandesa detinha-se no instante e na intensidade dos pequenos acontecimentos.
A FAZENDA AFRICANA
KAREN BLIXEN
Tradução: Claudio Marcondes
Capa dura; 16 x 22 cm; 448 páginas; 3 ilustrações; R$ 69,00
ISBN 85-7503-449-9
Obra-prima da escritora dinamarquesa Karen Blixen (1885-1962), tem como ponto de partida a vida amorosa infeliz de uma baronesa europeia numa grande fazenda de café na África. O livro deu origem ao filme Entre dois amores (Out of Africa, 1985), de Sidney Pollack, com Meryl Streep e Robert Redford.
ANEDOTAS DO DESTINO
KAREN BLIXEN
Tradução: Cássio de Arantes Leite
Capa dura; 16 x 22 cm; 216 páginas; 3 ilustrações; R$ 49,00
ISBN 85-7503-506-1
Reconhecida com uma Sheerezade do sécuo XX, esta sua obra reúne cinco contos, entre eles o mais conhecido da autora, "A festa de Babette", adaptado para o cinema por Gustav Axel (1987). Com uma atmosfera enigmática, entre o sonho e a memória arquetípica, conduz o leitor da prosa da Pérsia aos fiordes da Noruega, passando pela China.
O HOMEM SENTADO NO CORREDOR/ A DOENÇA DA MORTE
MARGUERITE DURAS
Tradução: Vadim Nikitim. Ilustrações: Anselm Kiefer.
Capa dura; 16 x 22 cm; 112 páginas; 8 ilustrações; R$ 45,00
ISBN 978-85-7503-572-6
Fortemente confessional e amoroso, breve e intenso, o livro anuncia um tempo de amores rápidos, do pânico da intimidade e do desencontro entre os pares anônimos em duas narrativas curtas. A edição inclui ilustrações de raras aquarelas do artista plástico alemão Anselm Kiefer.
SETE NARRATIVAS GÓTICAS
KAREN BLIXEN
Tradução: Claudio Marcondes. Posfácio: Per Johns.
Capa dura; 16 x 22 cm; 480 páginas; 3 ilustrações; R$ 69,00
ISBN 978-85-7503-636-5
Da experiência de contar histórias aos nativos em sua fazenda de café, no Quênia, Karen Blixen extraiu a essência destas narrativas, que, numa aura de mistério e estranheza, unem realidade e ficção para refletir sobre a morte e o sobrenatural, a passagem do tempo, as frustrações cotidianas e a solidão humana.
O AMANTE
MARGUERITE DURAS
Tradução: Denise Bottmann. Posfácio: Leyla Perrone-Moisés
Capa dura; 16 x 22 cm; 112 páginas; 3 ilustrações; R$ 45,00
ISBN 978-85-7503-661-7
Considerado o mais autobiográfico da escritora, dramaturga e cineasta Marguerite Duras (1914-96), este romance narra a iniciação sexual da autora, aos quinze anos e meio, com um chinês rico de Saigon. Os encontros amorosos são, ao mesmo tempo, intensamente prazerosos e infinitamente tristes. O livro foi adaptado para o cinema por Jean-Jacques Annaud, em 1991.
CONTOS COMPLETOS
FLANNERY O'CONNOR
Tradução: Leonardo Fróes. Posfácio: Cristóvão Tezza
Capa dura; 16 x 22 cm; 720 páginas; 3 ilustrações; R$ 79,00
ISBN 978-85-7503-609-9
A escritora norte-americana Flannery O’Connor (1925-1964) teve a vida interrompida pelo lúpus aos 39 anos de idade. Seus contos, gênero em que adquiriu maestria, abordam a religião (ela era católica numa região predominantemente protestante), o racismo (ela era branca e filha de proprietários de terra) e a violência, sempre numa atmosfera de extremo realismo.
TRÊS VIDAS
GERTRUDE STEIN
Tradução: Vanessa Bárbara. Posfácio: Flora Süssekind
Apêndice: trechos traduzidos por Caetano Veloso
Capa dura; 16 x 22 cm; 248 páginas; 4 ilustrações; R$ 49,00
ISBN 987-85-7503-750-8
Primeiro livro de Gertrude Stein, personalidade fundamental no modernismo e amiga de ícones como Picasso, Ernest Hemingway e Scott Fitzgerald, reúne três novelas que contam as histórias de Anna, Melanctha e Lena. Traz as marcas modernas da escrita da autora, como a linguagem coloquial, as listas de adjetivos e a repetição de trechos ao longo da narrativa.
A AUTOBIOGRAFIA DE ALICE B. TOKLAS
GERTRUDE STEIN
Tradução: José Rubens Siqueira
Posfácio: Silviano Santiago
Capa dura; 16 x 22 cm; 288 páginas; 3 ilustrações; R$ 59,00
ISBN 978-85-7503-802-4
Um painel divertido e envolvente de vinte e cinco anos de convivência do casal Gertrude Stein (1874-1946) e Alice B. Toklas (1877-1967) que, no salão da Rue de Fleurus, em Paris, recebia amigos como Picasso, Matisse, Fitzgerald e Hemingway. Num engenhoso jogo literário, Gertrude empresta sua voz de narradora à Alice, que conta os episódios com simplicidade e leveza.
COSAC NAIFY | ASSESSORIA DE IMPRENSA