Sala de Imprensa

01/04/2010
EXPOSIÇÃO DE MIRA SCHENDEL E LEÓN FERRARI CHEGA AO BRASIL E GANHA CATÁLOGO EM PORTUGUÊS

Assessoria de Imprensa


Rafaela Cêra
55 11 3218-1466
rafaela.cera@cosacnaify.com.br

João Perassolo
55 11 3218-1468
joao.perassolo@cosacnaify.com.br


Em uma iniciativa inédita, a Cosac Naify firmou em 2009 a primeira parceria de uma editora brasileira com o MoMA – Museum of Modern Art de Nova York, publicando o catálogo em inglês da mostra, que esteve em cartaz entre abril e junho do ano passado, no museu novaiorquino. Agora, a Fundação Iberê Camargo vem reforçar esta iniciativa e reafirmar sua parceria de longa data com a Cosac Naify em mais uma publicação de referência nas artes visuais.

O livro e exposição intercalam a produção de Mira Schendel (1919-1989) e León Ferrari (1920), provocando o olhar para a aproximação entre suas obras, tendo como ponto de partida a aparência visual da linguagem. Com organização do curador de arte Latino-americana do MoMA, Luis Pérez-Oramas, e reunindo cerca de 200 obras de vários meios de expressão – cerâmicas, pinturas, esculturas, instalações e desenhos –, a mostra foi a primeira a comparar as obras dos dois artistas e reunir seus trabalhos do fim da década de 50 até os últimos anos de 80, no caso de Mira Schendel, e até 2007, no caso de León Ferrari.

Em seu ensaio, Oramas, que também organizou a edição, salienta as semelhanças entre os dois trabalhos e analisa o papel da palavra em ambos: “Mesmo em seus momentos mais silenciosos e íntimos, a arte deles está impregnada do furor proteico das incontáveis faces e encarnações da linguagem, desde o silêncio voluntário até a afasia, passando por sussurro, prece, acusação, sermão, diálogo, citação, tartamudez, grito, onomatopeia, colagem, argumentação, alfabeto e poesia."

Já a crítica argentina e historiadora da arte Andrea Giunta, em seu texto “León Ferrari: uma rapsódia da linguagem”, traça um perfil do trabalho inclassificável do artista argentino, recontando sua trajetória desde os anos 60. Para ela, “toda a sua obra constitui uma persistente e contínua investigação dos limites e do poder da linguagem.”

Por fim, em “Mira Schendel: o mundo como generosidade”, o crítico brasileiro Rodrigo Naves, analisa o trabalho da artista, afirmando que “Tudo na arte de Mira Schendel sempre foi uma recusa tanto à ordenação violenta da realidade quanto às significações impositivas, as duas faces de uma mesma moeda.”

O volume inclui ainda uma cronologia ilustrada em paralelo dos dois artistas e bibliografia selecionada.

ARTE E LIVROS EM PARCERIA

As parcerias com o MoMA e a Fundação Iberê Camargo refletem escolhas editoriais criteriosas da Cosac Naify.

Mira Schendel e León Ferrari já fazem parte, com destaque, do catálogo da editora, que já havia publicado em 2001 o livro Mira Schendel, da historiadora Maria Eduarda Marques, dentro da coleção Espaços da Arte Brasileira. Em 2006, foi a vez do argentino León Ferrari, artista que passou 15 anos no Brasil, ter sua obra revisitada, no livro León Ferrari: retrospectiva. Obras: 1954-2006 (coedição Imprensa Oficial / Pinacoteca do Estado), vencedor em 2006 do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) na categoria Grande Prêmio da Crítica [Artes Visuais]. E, em 2009, a Cosac Naify lançou Mira Schendel – do espiritual à corporeidade, do historiador e artista plástico Geraldo Souza Dias, uma nova leitura do desenvolvimento artístico e intelectual de Mira, apoiada em documentos raros, como os diários da artista.

Com a Fundação Iberê Camargo, a Cosac Naify já mantém uma duradoura parceria, que resultou em publicações fundamentais em torno do pintor gaúcho Iberê Camargo (1914-1994), um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros. Obras de fôlego refazem a trajetória do artista, como Iberê Camargo – Catálogo raisonné [gravuras], com organização de Mônica Zielinsky, que reúne toda sua produção gráfica, Diálogos com Iberê Camargo, organizado pela crítica Sônia Salzstein, e Iberê Camargo: origem e destino, de Vera Beatriz Siqueira. Destaque também para a publicação Fundação Iberê Camargo – Alvaro Siza, organizado por Flávio Kiefer, volume que aborda o projeto do arquiteto português para o edifício da instituição, em Porto Alegre.

SOBRE OS ARTISTAS
León Ferrari nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1920. Suas primeiras obras apareceram no final da década de 50, período em que trabalhava em Roma. Suas esculturas em barro e gesso eram estilisticamente vinculadas às tendências abstratas da época. A partir da década de 60, Ferrari abandonou o formalismo avant-garde para dedicar-se a formas artísticas mais políticas e confrontadoras. Obrigado a buscar o exílio político, Ferrari viveu em São Paulo, Brasil, entre 1976 e 1986, um período em que repensou as técnicas de sua obra e concentrou-se em formas mais próximas à Arte Conceitual. Em 1991 voltou à Argentina onde até hoje se mantém ativo no âmbito artístico do país. Com 89 anos de idade, continua sendo um dos mais produtivos artistas da América Latina de nossos dias.

Mira Schendel nasceu na Suíça em 1919 e iniciou seu treinamento artístico em Milão, Itália, em 1936. Imersa desde a infância no meio intelectual da Itália, onde sua mãe se casou com o conde Tommaso Gnoli, Schendel estudou arte, filosofia e teologia, passando parte da juventude no Palácio Brera, onde teve acesso privado a uma das mais requintadas coleções de arte existentes. Fugindo da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial, Schendel se refugiou em Sarajevo, na Bósnia, em 1941. Em 1946 mudou-se a Roma, emigrando depois a Porto Alegre (RS). Três anos depois, em 1949, Schendel começou a produzir quadros e objetos em cerâmica enquanto lecionava e publicava poemas. Após ser convidada a exibir na primeira Bienal de São Paulo em 1951, se mudou para essa cidade em 1953. Artista solitária, Schendel presenciou os principais acontecimentos da vanguarda de seu país adotivo e trocou ideias com influentes intelectuais do século XX, desde poetas e filósofos até críticos e outros artistas. Tornou-se uma referencia importante da cena cultural depois de 1965. Faleceu no Brasil em 1988.

SOBRE A EXPOSIÇÃO
A exposição O alfabeto enfurecido, que a Fundação Iberê Camargo apresenta entre os dias 09 de abril e 11 de julho, apresenta uma dupla retrospectiva que coloca em paralelo o conjunto da obra da suíço-brasileira Mira Schendel e do argentino León Ferrari. Esta é a última oportunidade que o público terá para apreciar a perspectiva comparativa que Luis Pérez-Oramas, curador de arte latino-americana do MoMa, depositou sobre a obra dos artistas. Os 180 trabalhos exibidos chegam ao Brasil após temporadas no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o MoMA, e no Reina Sofia, em Madri.

A vasta produção de ambos será distribuída entre o primeiro e segundo pisos e pelo átrio da Fundação, reunindo cerâmicas, pinturas, esculturas, instalações e desenhos oriundos tanto de coleções públicas e privadas de São Paulo, Buenos Aires, Londres e Estados Unidos, e também dos espólios de Mira Schendel e da coleção pessoal de León Ferrari. A partir de trabalhos do final da década de 50, a exposição percorre uma cronologia informal, delineando a evolução dos artistas até os últimos quadros de Schendel (no final da década de 80) e as mais recentes esculturas de Ferrari (2007).

LEÓN FERRARI E MIRA SCHENDEL: O ALFABETO ENFURECIDO
Em cartaz de 09 de abril a 11 de julho.

Fundação Iberê Carmargo
Av. Padre Cacique, 2000, Porto Alegre, RS
Tel (51) 3247-8000 
www.iberecamargo.org.br

COSAC NAIFY | ASSESSORIA DE IMPRENSA

Voltar