Sala de Imprensa

26/01/2012
DESIGN PARA UM MUNDO COMPLEXO

Assessoria de Imprensa


Rafaela Cêra
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João Perassolo
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Em um mundo cada vez mais complexo os desafios do designer são cada vez mais profundos. Neste livro, Rafael Cardoso atualiza a discussão em torno do papel do design na sociedade, revendo noções básicas como forma, função e significado, demonstrando como nossa relação com as coisas é definida pela mutabilidade. Ao enfrentar os dilemas colocados pela contemporaneidade, este livro é uma poderosa ferramenta teórica, elaborada de maneira clara tanto ao leigo quanto ao estudioso.

Design para um mundo complexo atualiza a discussão proposta por Design para o mundo real, publicado há quarenta anos, em 1971. Seu autor, o designer norte-americano Victor Papanek, alertava para a perda de sentido do design de matriz modernista crescente e perversamente estetizado em face de um mundo assolado pela miséria,  violência e degradação, e conclamava os designers a saírem de seu universo auto-referente para projetarem soluções para o mundo real.

Constatando que os problemas apontados por Papanek tornaram-se ainda mais profundos, Rafael Cardoso procurou realizar ao mesmo tempo “uma homenagem e uma revisão crítica” à publicação original, aprofundando o ataque à noção modernista de função e atualizando o “mundo real” de então, cuja materialidade passou definitivamente a ser envolvida e permeada por uma camada de informação e imaterialidade.

Segundo Cardoso, para que o design possa ter qualquer efetividade sobre esta realidade, precisará necessariamente considerar sua complexidade, entendida como “um sistema composto de muitos elementos, camadas e estruturas, cujas inter-relações condicionam e redefinem continuamente o funcionamento do todo”. 

Se muitos autores se contentam em exaltar a busca pela simplicidade como forma de ser do design (afinal de contas, “o design nasceu com o firme propósito de por ordem na bagunça do mundo industrial”), são efetivamente poucos os que se dispõem a enfrentar os desconcertantes dilemas colocados pela complexidade das aparências, das formas e dos significados. 

SOBRE O AUTOR

Rafael Cardoso é escritor e historiador da arte. phd em história
da arte pelo Courtauld Institute of Art (Universidade de Londres),
atua como professor da Escola Superior de Desenho Industrial da
Universidade Estadual do Rio de Janeiro e também como curador.

SOBRE O PROJETO GRÁFICO
Assim como ocorre com outros títulos da editora, o projeto gráfico de Design para um mundo complexo merece um comentário à parte, a começar pelo papel no qual é integralmente impresso, conhecido como Kraft Ouro. 

A substituição dos papeis comumente utilizados nos miolos de livros por essa variedade empregada na indústria de envelopes é, a seu modo, um comentário sobre nosso costume de destinar certos materiais a certos usos pelo engessamento de suas funções. 

Não se trata, contudo, de simplesmente utilizar um papel “estranho”. Se os envelopes contêm mensagens, e se alguns papeis são mais utilizados para a fabricação de envelopes, eles passam também a significar “embalagem”, independentemente de sua configuração como envelope. 

Assim, além de reforçar o caráter de mensagem que permeia todo o livro, o projeto induz a outra experiência fundamental: a leitura se produz numa embalagem (a teoria), que se relaciona de forma sempre incerta e incompleta com seu conteúdo (a realidade). 

Dois dispositivos visuais aprofundam e reafirmam esse comportamento: por um lado, todas as imagens – mesmo as fotografias e logotipos – foram transformadas em ilustrações em preto-e-branco desenhadas à mão, próximas de esboços; por outro, a capa e as demais seções do livro são identificadas e permeadas por uma padronagem hexagonal que, multiplicada, produz uma imagem semelhante às “redes dentro de redes dentro de redes”. 

Mensagem, embalagem, esboço e rede, o projeto gráfico de Design para um mundo complexo pode ser entendido como uma metáfora material que transforma em experiência de leitura a afirmação de Aldous Huxley escolhida como epígrafe para o livro: “Nossas teorias mais refinadas, nossas descrições mais elaboradas são apenas simplificações cruas e bárbaras de uma realidade que é, em suas amostras cada vez menores, infinitamente complexa”.

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