Sala de Imprensa

21/06/2012
HISTÓRIA DO PÉ

Assessoria de Imprensa


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Jean-Marie Gustave Le Clézio nasceu em 1940, em Nice, na França. Com dupla nacionalidade francesa e mauriciana, publicou aos 23 anos seu primeiro romance, Le Procès-verbal, agraciado com o prêmio Renaudot. Os vínculos com a África estão presentes em toda a sua literatura: os temas nascem das origens mauricianas de sua família, das inúmeras viagens que fez e de seu fascínio pelas culturas ameríndias. Descrito pela crítica como o escritor do mito, da aventura e da alteridade, Le Clézio escreveu mais de quarenta obras de ficção e ensaio. Dessas, a Cosac Naify publicou O africano (2007), Refrão da fome (2009) e Pawana (2009). Recebeu o prêmio Nobel de literatura em 2008.

Primeira obra publicada por Le Clézio desde o prêmio, este livro reúne dez novelas perfeitas em sua con- cisão e eficácia: cada uma delas inventa um mundo com- pleto – em Paris, no Senegal, na Libéria, em Serra Leoa... Para seu autor, falam essencialmente da força da fragilidade. São histórias de resistência, quase todas com prota
gonistas femininas: mulheres que recusam o cinismo e a brutalidade do mundo, mulheres que buscam a transpa- rência. Novelas de mar e de vento, tocantes, surpreenden- tes em sua diversidade, realizam o que Le Clézio considera sua vocação como escritor: lançar-se à aventura “e arris- car-se, como o caçador inexperiente [...]. Não sabendo exa- tamente o que procura, ele se deixa arrastar pelo acaso e é possível que encontre uma surpresa inestimável”. Como, sem dúvida, acontece aqui.

Em “Quase apólogo”, última novela deste livro, J. M. G. Le Clézio fala sobre sua experiência de escritor. “Escrever é igual ao metrô. Você já sabe aonde vai, não tem uma escolha infinita de destina- ções, há horários a respeitar [...] Mas há também tudo aquilo que você não pode prever, o que o transporta (sem querer brincar com as palavras) e expõe, o que o atinge momentânea ou permanentemente. Quero dizer as sacudidas, os ritmos, os encontros. Os olhares trocados, que às vezes deslizam pelo escudo das vidraças, as palavras captadas, os farrapos de frases, conversas, monólogos, instantâneos insensatos [...] E, melhor que tudo, os pés. Nem belos nem bobos nem gloriosos, mesmo se estão cal- çados de couro muito macio, de camurça, com fivelas e ilhoses de enfeite. Simplesmente os pés plantados no chão, usando tamancos ou sandálias de dedo, saídos de sua concha e expostos ao frio, à chuva.

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