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27/06/2012
OS 25 POEMAS DA TRISTE ALEGRIA

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OS 25 POEMAS DA TRISTE ALEGRIA

Inéditos até hoje, Os 25 poemas da triste alegria revelam um Drummond desconhecido e acrescentam à sua obra um capítulo anterior a Alguma poesia (1930), seu livro de estreia.  Em 1924, os poemas foram datilografados por Dolores Dutra de Morais, com quem o poeta viria a se casar. Depois de encadernados, foram confiados ao amigo Rodrigo Mello Franco de Andrade, de cuja biblioteca o volume só saiu para as mãos de Manuel Bandeira e, algum tempo depois, para as do próprio autor. Desde então, nunca mais se teve notícia do livro. Em 1937, Drummond já havia se transferido para o Rio de Janeiro e escrevia os poemas que iriam alçá-lo à condição de poeta nacional, com Sentimento do mundo (1940). São dessa época o conjunto de anotações manuscritas à margem da sua produção de juventude. Drummond tinha o costume de apagar qualquer vestígio de originais mas, apesar de tudo, preservou Os 25 poemas da triste alegria, hoje um documento extraordinário para avaliar sua trajetória e, por extensão, a do próprio modernismo brasileiro.

Na Belo Horizonte dos anos 1920, o poeta mineiro lia com avidez a literatura francesa recente, correspondia-se com Manuel Bandeira e Mário de Andrade, editava uma das primeiras revistas do nosso modernismo e, acima de tudo, testava uma dicção muito própria que, uma vez definida, marcaria a cultura brasileira das décadas seguintes.  Os 25 poemas da triste alegria ainda estavam embebidos na estética pós-simbolista, praticada por nomes como Álvaro Moreyra e Ronald de Carvalho, embora Drummond já soubesse que a arte moderna o levaria a caminhos muito diferentes, como deixam claro os textos que publicou em jornais e revistas da mesma época, alguns dos quais localizados em arquivos de Belo Horizonte e aqui reunidos pela primeira vez. Escritos entre 1923 e 1924, esse conjunto de textos desmancha, segundo o crítico inglês John Gledson, “o mito de Drummond como modernista nato, sem as lutas e a evolução lenta de [...] Mário de Andrade e Manuel Bandeira”.

Num momento de reavaliação de um dos grandes poetas do século 20, este volume traz à luz um veio subterrâneo do modernismo brasileiro, envolvendo as atuações díspares de Mário de Andrade, Bandeira e Rodrigo Melo Franco, além do próprio Drummond, que anos depois anotou sem dó o seu próprio livro.

A edição conta com reproduções do original – um exemplar único – feitas pelo fotógrafo Vicente de Mello, especializado em fotografar obras de arte, e uma disposição gráfica que permite ao leitor fruir o documento tal como é ao lado de transcrições de seu conteúdo, ambos acompanhados de comentários críticos e informações bibliográficas de Antonio Carlos Secchin. Além disso, o livro pode ser historicamente contextualizado por meio de fotos de época e do depoimento de um amigo de toda a vida, o poeta Emílio Moura, dado ao Diário de Minas em 1952, também inédito em livro.  

 

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