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  • Design gráfico: um breve roteiro de estudo ao alcance das mãos

    Por Celso Longo*
    Segunda-feira, 26 julho, 2010, às 13:25

    Há cerca de quinze anos, quando me deparei pela primeira vez com uma aula de comunicação visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, era difícil encontrar livros de referência para o design distribuídos por aqui, ainda mais editados em português. Restavam duas opções: a biblioteca da faculdade (muito boa, diga-se de passagem) e a compra fora do Brasil — com as economias advindas dos kebabs e albergues. Àquela época, cabe lembrar, a Amazon era ainda um embrião. Felizmente, de lá pra cá, a situação mudou. Títulos fundamentais começaram, gradualmente, a chegar às nossas estantes.

    É o caso, por exemplo, de três publicações que a Cosac Naify lançou recentemente: História do design gráfico, de Philip Meggs e Alston Purvis; BiblioGráfico, de Jason Godfrey; e Geometria do design, de Kimberly Elam. Para se ter a dimensão da importância desses livros, basta dizer que eles seriam suficientes para elaborar um roteiro sintético de estudo, dentro dos amplos domínios do design gráfico.

    A consagrada bíblia de Meggs é, nessa tríade, nosso ponto de apoio central. Nela, a história do design é desvelada — com fatos consistentes e cerca 1.300 imagens — desde a invenção da escrita (a “contrapartida visual da fala”, nas palavras do autor) até o pós-modernismo e a revolução digital. Um trabalho hercúleo de documentação que transcende o período da Revolução Industrial ao Modernismo, normalmente abordado pelos autores que se aventuram pela historiografia do design. Desse modo, podemos compreender, por exemplo, como Johann Gutenberg foi de fato um visionário para a criação do mundo moderno, na mesma medida em que Johann Fust, seu credor, transformou-se numa suposta inspiração para o lendário Dr. Fausto — mágico alemão que vendeu sua alma ao diabo em troca de conhecimento e poder.

    Já BiblioGráfico, como sugere o nome, é uma poderosa taxonomia de publicações essenciais ao design gráfico — “um livro sobre vivenciar livros”. Um livro formado por cem livros clássicos, divididos em seções fundamentais a qualquer necessidade de busca de um designer ou estúdio: tipografia; didáticos; monografias; etc. Nele encontramos, por exemplo, desde Die Neue Typographie, de Jan Tschichold, até Make it Bigger, de Paula Scher. Bibliográfico funciona como um oráculo. Algo semelhante a teclar a letra “S” na agenda eletrônica do celular e aparecer o nome e o número de Steven Heller e, independente da hora ou ocasião, poder apertar “call” e perguntar, sem delonga:

    — Alô! Qual livro você indicaria para uma abordagem fundamentada sobre a interação entre palavras e edifícios, design gráfico e arquitetura, tipografia e cidade?

    E, em poucos segundos, obter a resposta:

    — Ah… Jock Kinneir, Words and buildings!

    Simplesmente, fantástico. E, caso você não busque nada em especial, os cem livros selecionados são, no mínimo, uma fonte salutar de inspiração para qualquer pessoa minimamente sensível ao poder do design editorial de excelência.

    O terceiro livro do roteiro, o recente Geometria do design, foca suas forças no desenho — substrato para qualquer ato projetual consciente. Apresenta e discute a geometria subjacente às estruturas visuais de ícones do design (gráfico e de produtos industrializados). O livro pode ser dividido em dois grandes blocos: o primeiro, mais teórico, traz ao alcance do leitor o universo matemático das proporções. O segundo aplica esses axiomas geométricos a diversos exemplos consagrados, como a cadeira Barcelona, de Mies van der Rohe, ou o cartaz Beethoven, de Josef Müller-Brockmann — em engenhosas sobreposições de diagramas construtivos impressos em papel vegetal sobre imagens fotográficas impressas em papel couché.

    Se a linguagem é a somatória da semântica, da pragmática e da sintaxe, nosso breve roteiro para designers gráficos e interessados em cultura visual completa seu ciclo com esses três títulos selecionados. Ao livro de Meggs e Purvis cabe a tarefa de mostrar as origens e significados do design gráfico; Godfrey aponta em seu mapa onde estão os tesouros; e, finalmente, a educadora e designer Kimberly Elam apresenta-nos os princípios visuais da composição geométrica.

    Prato cheio para o novo semestre que se inicia.


    *Celso Longo é arquiteto. Trabalha com design gráfico em seu próprio estúdio, o Imageria, e dá aulas no curso de design da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo [ESPM]

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