Por Cosac Naify
Domingo, 11 julho, 2010, às 08:00
“Ah, se a gente não precisasse dormir! [...] Tudo é divertido, tudo faz parte do jogo”, exclamou o artista pop norte-americano Keith Haring (1958-90), pouco antes de morrer, quando indagado pela revista Rolling Stone sobre se não se aborrecia com as coisas triviais da vida.
A explosão de sprays, pincéis e traços do artista não poderiam sugerir resposta diferente. Keith Haring adorava viver – e seu grafite era a expressão máxima disso. “Em menos de dez anos, de 1980 a 1989, ele ajudou a dobrar a língua daqueles que achavam que grafite não era arte. E fez isso apenas por meio de seu trabalho e de seus inconfundíveis personagens dançantes”, avalia o jornalista Mario Cesar Carvalho na reportagem exclusiva produzida para a edição brasileira de Ah, se a gente não precisasse dormir!, lançamento deste mês.
A dupla de grafiteiros Osgemeos, Gustavo e Otávio Pandolfo, reafirma a importância de Haring, no texto de quarta capa do livro: “Keith Haring foi sem dúvida um dos artistas da arte pop mais consagrados internacionalmente. Com seu trabalho, atravessou barreiras, superou várias dificuldades e conquistou o mundo. Uma arte alegre, questionadora e divertida, com traços fortes e linguagem direta, que somou muito para a cena do grafite em Nova York nos anos 1980.”
A cena urbana paulistana não passaria incólume à energia de Haring. Na mesma década, ele veio ao Brasil e marcou os profissionais do spray que com ele conviveram. Recorda o grafiteiro Rui Amaral: “Naquela época, quase ninguém fazia grafite à mão livre. Fui um dos primeiros. Vi Haring grafitando como se estivesse dançando e aquilo mexeu comigo. Demorou para que o grafite ganhasse terreno aqui”.
“Minha obra começou na pintura e agora está na arte pública. Hoje tenho plena consciência de que o que faço tem uma relação com o grafite, com a arte de rua, com aquela emoção de fazer nas ruas o que não era permitido”, diz a artista Fabiana de Barros.
Embora tenha alçado o grafite ao estatuto de arte urbana, o feito de Haring não evitou que um painel de sua autoria, pintado num muro próximo à avenida Paulo VI (continuação da avenida Sumaré, na capital paulista), realizado em 1983 – ano em que participou da Bienal de Arte de São Paulo –, tenha sido apagado. Osgemeos conhecem bem a sensação: desenhos da dupla também desapareceram de um imenso muro que margeia a avenida 23 de Maio.

A rara imagem do painel está no livro Ah! Se a gente não precisasse dormir!
Foto de Paulo Labriola
Comentário de Cosac Naify
15/07/2010 as 12:04
Olá, Ana. Na imagem está a fotógrafa Vera Barbosa, acompanhada de Gustavo Suárez e do bebê Ramiro Suárez. Paulo Labriola é o autor da foto, que data de 1984. Ela reuniu outros registros do painel de Keith Haring em seu blog, veja lá: http://lxsp.blogspot.com/2007/09/keith-haring_14.html
Um abraço, Érica Georgino.
Comentário de Vera Barbosa
18/07/2010 as 22:16
Érica, Fiquei feliz com o livro: Keith Haring “Ah, se a gente não precisasse dormir!” Parabéns a todos envolvidos!
Só para esclarecer, sou a Vera Barbosa, que está na foto, atriz, diretora e, embora adore fotografar, essa não é minha profissão…
Beijos
Comentário de Ana Klein
15/07/2010 as 00:26
quem sáo as pessoas na foto?