Resultados da busca por: "linha do tempo do design gráfico no Brasil"

  • O design da folia

    O ilustrador, designer gráfico e chargista José Carlos de Brito e Cunha, mais conhecido como J. Carlos, nasceu em 1884 no Rio de Janeiro, cidade que retratou como poucos, a partir de seus personagens boêmios. Destes, ficou famosa a figura da melindrosa, a mulher símbolo do art déco da época, a um só tempo elegante, ingênua e sensual, sempre sorridente e convidativa. E também seus pierrots e colombinas estilizados, que surgiam num ousado fundo preto, entre elementos de um mosaico sofisticado de cores. Como nestas capas da revista Para Todos…, que estão nos livros O design brasileiro antes do design e Linha do tempo do design gráfico no Brasil. Lançadas no carnaval de 1927, formam uma sequência narrativa, começando nos preparativos para a folia e terminando na varrição dos confetes e serpentinas espalhados no salão. J. Carlos morreu em 1950, deixando a marca de um artista genuino e original, que ainda hoje influencia todos os que trabalham com imagens.

     

    Para visualizar as imagens em tamanho maior, acesse: cosacnaify.tumblr.br

  • 90 anos, mas com um corpinho de 22

    Há exatos 90 anos a sociedade paulistana se espantava com as pinturas e esculturas modernistas expostas nas escadarias, corredores e salas do Theatro Municipal, com agá. A Semana de Arte Moderna estava começando. Nesse dia, Graça Aranha, figura um tanto deslocada no grupo, falaria ao público. Dois dias depois, seria a vez de Guiomar Novaes mesclar, ao piano, temas vanguardistas com obras clássicas, num raro momento de concessão a uma platéia já disposta a vaiar – o que acabou acontecendo na leitura de Os Sapos, de Manuel Bandeira, feita por Ronald Carvalho (Bandeira estava impedido pela tuberculose). Finalmente, na sexta-feira, dia de encerramento daquele “ultraje”, Heitor Villa-Lobos se apresenta de fraque e, nos pés, um sapato e um chinelo, imediatamente interpretado como ofensivo, quando não passava de peça necessária para não magoar ainda mais um calo irritadiço.

    Para comemorar o aniversário desta senhora ainda enxuta, separamos algumas imagens dos livros Da antropofagia a Brasília - Brasil, 1920-1950 e Linha do tempo do design gráfico do Brasil, com destaque para o catálogo e o programa da Semana, desenhados por Di Cavalcanti. As crônicas de Bandeira e as lembranças de Cícero Dias também são uma boa pedida.

     

     

     

     

    Conheça outras imagens relacionadas a Semana de Arte Moderna em nosso Tumblr: cosacnaify.tumblr.com

  • O “realismo socialista” em São Paulo


    O estado de São Paulo vivia um momento de orgulho. Apesar de derrotado pelas forças getulistas em 1932, ganhou grande destaque com a crescente industrialização e a fundação, em 34, da USP. Reconciliado com os insurgentes, o presidente Getúlio Vargas indica um dos caciques paulistanos para governador, Armando de Salles Oliveira. Este, disposto a mostrar a pujança do estado ao resto do país, cria a revista S.Paulo, veículo de vida breve mas marcante.

    Editada pelos poetas modernistas (de forte tendência nacionalista de direita) Cassiano Ricardo e Menotti Del Picchia, a revista S.Paulo era feita basicamente de fotomontagens, um recurso inovador na época, muito inspirada pelo similar soviético, URSS em Construção, que se valia das colagens vanguardistas de Ródtchenko.

    Pela primeira vez a imagem sobrepujava – e muito! – o texto, que aparecia em letras miúdas, quase como um mero acessório. Era o texto que “ilustrava” as imagens e não o contrário.  As cenas, ditribuídas em páginas duplas e até triplas pelas grandes dimensões da revista, mostravam a dinâmica de multidões, prédios em construção, indústrias a pleno vapor  e a exuberância da agricultura. Ironicamente, tomava o princípio da propaganda soviética, ou seja, do chamado realismo socialista, e o transpunha para uma situação política bem diferente – para não dizer antagônica.

    Apesar do sucesso, a revista teve apenas dez números, deixando de ser editada com a saída de Salles Oliveira do governo e o subseqüente golpe militar de 37, quando Getúlio instaura o período ditatorial do chamado Estado Novo (que vai até 1945).

    No aniversário da cidade, separamos algumas imagens da vibrante revista S.Paulo contidas no livro Linha do tempo do design gráfico no Brasil, que acabamos de lançar. Você também pode ver outras imagens do livro no nosso Tumblr.

    *Elaine Ramos é diretora de arte da Cosac Naify.
    Daniel Benevides é jornalista e coordenador de comunicação da editora.

  • O que vem por aí em 2012


    2012 não verá o fim do mundo, como supostamente aponta o calendário maia. É o que podemos garantir, ao menos a partir do nosso calendário, que prevê um ano cheio de boas surpresas, com lançamentos marcantes em várias áreas.

    Um dos mais aguardados é certamente o Linha do tempo do design gráfico no Brasil, um esforço inédito de mapear o que surgiu de melhor nessa área, de 1808, quando apareceram os primeiros jornais e os livros de poesia de Gonçalves Dias, a 1999, no limiar do novo século, em que despontaram termos como o branding e consolidou-se o design para mídias digitais.

    Concebido como complemento brasileiro ao essencial História do design gráfico, o livro, composto basicamente de ilustrações dos trabalhos realizados pelos mais destacados designers do Brasil em quase 200 anos, é o resultado de três anos de pesquisa intensa.

    A diretora de arte da Cosac Naify, Elaine Ramos, e o designer Chico Homem de Melo mergulharam fundo na busca pelas imagens mais representativas do nosso design. Um trabalho pioneiro, fundamental não apenas para estudiosos, mas para todos os que se interessam por nossa história, aqui contada em diversas capas de livros, revistas, jornais, discos, pôsteres, selos e outros suportes. Com 745 páginas, o livro, que vem com quatro opções de capas, será lançado em fevereiro.

    A brincadeira favorita
    Leonard Cohen é provavelmente um dos cantores/compositores mais cultuados do mundo, tanto pela crítica quanto pelo público. O que nem todos sabem é que, antes de lançar o primeiro disco – o clássico Songs of Leonard Cohen (1967) – algo tardiamente, aos 33 anos, ele já era um conhecido poeta e escritor, com dois romances e quatro livros de poesia publicados.

    O primeiro dos romances, A brincadeira favorita, será lançado em março, em sua primeira edição brasileira (por coincidência, Cohen deve lançar seu novo disco, Old Ideas, em janeiro). Possivelmente autobiográfico – ou autobiográfico de forma oblíqua -, o livro trata das aventuras amorosas e descobertas literárias do jovem Lawrence Breavman, judeu nascido em Montreal, assim como Cohen.

    Estão lá as marcas do bardo: o lirismo mesclado com ironia, a busca existencial, o pessimismo elegante, o amor indeciso pelas mulheres. E alguns belos achados na forma, que fazem lembrar seus melhores  momentos na música. Quando lançado, em 1963, A brincadeira Favorita foi comparado a O apanhador no campo de centeio – e não há nenhum exagero nisso.

    Bruno Schulz
    Outro grande escritor a ser lançado esse ano pela Cosac Naify, é o polonês Bruno Schulz (1892-1942). Pela primeira vez, toda sua obra conhecida – os livros de contos Lojas de Canela e Sanatório e ainda alguns textos avulsos , serão reunidos num único volume, que fará parte da Coleção Prosa do Mundo.  É a oportunidade de conhecer integralmente a imaginação poética de um autor que influenciou decisivamente alguns dos melhores escritores do pós-guerra, como John Updike e Danilo Kis.

    Também desenhista e pintor, seus textos, oniricamente autobiográficos, têm a forma da prosa e a textura da poesia, com imagens que ficam impressas na memória num misto de estranheza e encantamento. Suas histórias, muito inspiradas em Kafka, mas com uma voltagem toda própria, tratam de sua cidade natal (Drohobycz) e sua família – notadamente o pai, um comerciante febrilmente imaginativo. Um episódio trágico acabou com a vida de Schulz, metralhado por um oficial da Gestapo. Estava escrevendo um romance, que desapareceu.

    Caravaggio
    No campo dos ensaios, outro lançamento inédito e há muito aguardado: Caravaggio, do aclamado crítico e historiador de arte Roberto Longhi (autor também de Piero della Francesca), com ensaio também inédito de Lorenzo Mammì. O livro, ilustrado com quase todas as obras do pintor milanês (1571-1610),  foi o grande responsável pela reavaliação da importância de Caravaggio no cenário das artes. Até então, ele era menosprezado pela crítica, tratado como um artista menor, mais conhecido pela biografia, cheia de sobressaltos e desventuras.

    Com erudição revestida numa linguagem acessível, Longhi faz valer seus argumentos, mostrando a grandeza do talento de Caravaggio e o quanto sua arte foi inovadora, influenciando gerações de novos pintores (de certa forma, até hoje). A começar dos temas, frequentemente violentos, e a forma prosaica como mostrava figuras sacras, sem a preocupação de embelezá-las, mas principalmente pelo famoso uso do chiaroescuro, técnica que dá um ar de inquietante realidade a cenas sombrias, nas quais o acentuado contraste define a narrativa, sempre com forte impacto.

    Não é uma roupa
    E claro, 2012 também será um ano pródigo em livros infanto-juvenis aqui na Cosac Naify. Dois bons exemplos são Não é uma caixa, da norte-americana Antoinette Portis, e o clássico de Hans Christian Andersen, A nova roupa do imperador.

    O primeiro encanta pelo uso do traço simples a serviço de uma ideia que abre a imaginação para mil mundos . Tal como nos quadros de Magritte, em que uma coisa não é o que parece (ao menos conceitualmente), o coelhinho criado por Antoinette,  premiada escritora e ilustradora, transforma uma mera caixa em tudo o que se possa pensar, de um prédio em chamas a um foguete. Um pouco como nas situações em que a criança vibra mais com o embrulho do que com o presente, quando a imaginação claramente ocupa um espaço maior do que a representação mimética das coisas em si.

    O segundo, por sua vez, é uma das histórias mais divertidas e, de certa forma, atuais, do famoso contista dinamarquês (1805-1875), autor também de O patinho feio e A pequena sereia, entre outros contos inesquecíveis. Ao descrever a vaidade do imperador e o receio de seus súditos ao verem-no com sua “roupa invisível” – na verdade, roupa nenhuma – Andersen não apenas ridicularizava a autoridade máxima do monarca, como também satirizava a hipocrisia de todos os que o cercam, incluindo a população submissa. Tudo isso magnificamente ilustrado pelo inglês John A. Rowe.

    Bom ano a todos!