Por Cosac Naify
Quinta-feira, 6 maio, 2010, às 15:39

Inspirados nestas instruções de Keith Haring (1958-90) para sua pequena amiga Nina Clemente em O livro da Nina para guardar pequenas coisas – sobre o qual já falamos bastante neste blog -, aqui na Cosac Naify tivemos a ideia de comemorar à moda do artista plástico a data do seu aniversário. Na última terça-feira, 4/5, Haring completaria 52 anos.
Convidamos os usuários do Twitter a publicarem mensagens que nos contassem quais eram suas “pequenas coisas” favoritas. Uma lembrança, uma ação, um objeto, a primeira frase que lhes viesse à cabeça. Recebemos quase 200 tuítes que exploram as mais diferentes sensações.
Todos os participantes concorreram a um exemplar do livro, e a frase sorteada foi: “Terminar de ler um livro incrível e sentir saudades dos enredos e personagens… #pequenascoisas”, enviada por Fernanda Matos (@fermmc), de Curitiba. Embora esta “pequena coisa” seja tão afinada com o um dos propósitos da editora, acreditem, não interferimos no resultado.
A seguir você conhece outras pequenas e preciosas coisas da vida:
@admand Cheiro de café fresquinho da vovó. #pequenascoisas
@jacsalgado Visitar os “lugarzinhos” de Minas… Milho Verde, São Gonçalo, Lavras Novas, Piedade do Paraopeba… #pequenascoisas
@jacsalgado #pequenascoisas Plantar sementes das frutas que comi e vê-las germinar… Mesmo nas janelas do apartamento
@akasonifera Encontrar um cartão de dia dos namorados de 1988, com uma declaração de amor da sua mãe (in memorian) para o seu pai #pequenascoisas
@akasonifera Atravessar a cidade pra levar um gato vira-lata ao veterinário, porque suas sobrinhas acreditam que podem contar com você pra tudo #pequenascoisas
@akasonifera Chorar de rir em companhia das irmãs, revendo fotos da adolescência que deveriam ficar lacradas para sempre #pequenascoisas
@_julianaporto #pequenascoisas Ver as cores dos insetos bem de pertinho.
@_julianaporto #pequenascoisas Dançar até a última música da festa.
@veronicacouto Um retratinho dentro do pingente #pequenascoisas
@maricteixeira #pequenascoisas Sentar nos fundos da casa do meu avô e ficar “olhando” a horta com ele
@adriantunes Dois dedos de conversa e um sorriso #pequenascoisas
@_julianaporto #pequenascoisas Meu tio-bisavô aos 98 anos comentou: recordo pequenas coisas que meu pai me deu, um pirulito, uma figurinha que eu insisti muito em ganhar, um peão de madeira..s São essas coisas que ficam.
@ana_asch Reconhecer o dedão do pé da minha irmãzinha numa foto q só tem pés #pequenascoisas
@annepattrice Quisera eu fazer menos declarações de imposto de renda e fazer mais declarações de amor. #pequenascoisas
@lesavoldi Minhas #pequenascoisas que gosto de guardar: um fio de cabelo (de alguém que amei), uma pétala de flor, um anel, um bilhete…
@telesju Um beijo, um abraço, um aperto de mão #cosacnaify #pequenascoisas
@bibi_gil Todo mundo devia andar pelo Bixiga em uma manhã de outono. Mas tem que olhar pra cima, pras casas, pras cores #pequenascoisas
@ohessecachorro Pedir ‘pra presente’ pra mim mesma… Barulho de sinuca… Restinho do perfume no fim do dia #pequenascoisas
@Cuca_Pipoca Tem coisa melhor que estourar plástico bolha??? #pequenascoisas
@Cuca_Pipoca A primeira frase de um livro #pequenascoisas
@kinemascopie Cheirinho de livro novo #pequenascoisas
@andregalhardo Levar o filho na escola de bicicleta. #pequenascoisas
@renata_calves Um dia na praia, sem hora para ir embora, lendo Clarice e ouvindo o mar ao fundo #pequenascoisas
@camila_gonzatto Caminhar na grama de pés descalços. #pequenascoisas
@lhmatos #pequenascoisas A própria Nina, minha filha
Por Cosac Naify
Sexta-feira, 16 abril, 2010, às 17:41

“Lembre-se de que as pequenas coisas às vezes são as melhores de todas”, recomendou o artista plástico norte-americano Keith Haring (1958-90) a Nina Clemente em 15/7/88, data em que a pequena completava sete anos de idade. O “conselho” tomou a forma de um objeto repleto de cores e brincadeiras: tratava-se de O livro da Nina para guardar pequenas coisas, sobre o qual já falamos por aqui.
A Cosac Naify localizou a garota, hoje uma chefe de cozinha e estilista de 28 anos, e colheu um depoimento para a quarta capa da edição brasileira do livro. Com a palavra, Nina Clemente:
“Já faz 22 anos que Keith me presenteou com este livro, no meu sétimo aniversário. Ele tinha uma capacidade inata de transcender a vida adulta e foi meu melhor companheiro de infância, para além da nossa diferença de idade. Nunca o enxerguei como gente grande – todas as memórias que tenho dele são repletas de desenhos, risadas e alegria. Nos jantares e festas chiques, Keith era o único adulto com lugar garantido na mesa das crianças. Fiquei muito feliz ao saber que O livro da Nina para guardar pequenas coisas seria publicado no Brasil. Eu morei algum tempo no Rio de Janeiro e sei que Keith ficaria contente também: a energia, as cores, intensas, o ritmo e a vibração deste país estão em sintonia com sua arte e seu modo de vida. Espero que todas as crianças brasileiras, especialmente as ‘Ninas’, divirtam-se com este livro tanto quanto eu.”
Por Cosac Naify
Terça-feira, 13 abril, 2010, às 12:54

|Painel do artista Keith Haring na Bahia (1984), que acaba de ser restaurado. Foto: Keith Haring Foundation|
Já pensou como seria ter recebido em casa uma visita de Keith Haring (1958-90) e, entre uma xícara de café e um copo de wisky, vê-lo pintar um de seus bonecos na parede da sala? Era simples assim: Haring aparecia para dar um oi a um amigo e logo achava um canto para desenhar. Ele deve ter feito isso muitas vezes na casa do pintor italiano Francesco Clemente, pai de Nina, para quem criou O livro da Nina para guardar pequenas coisas.
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Em 1983, Rui Amaral teve privilégio semelhante, ainda que menos personalizado. “Ele foi em casa, tomamos um cafezinho, ele fez um desenho na parede do meu quarto”, revelou o grafiteiro ao repórter da Folha de S. Paulo Silas Martí [Ilustrada, 12/04/2010]. Haring esteve no Brasil por seis vezes, uma delas para a Bienal de Arte de São Paulo daquele ano, quando criou um enorme painel no pavilhão do evento [foto ao lado] e fez desenhos nos muros da avenida Sumaré, marcas que já não existem mais.
Outro a ganhar uma obra do artista pop foi o grafiteiro Kenny Scharf, amigo de Haring dos tempos da faculdade em Nova York. Os desenhos – que você vê com exclusividade aqui – foram feitos em 1984, na casa que o norte-americano tem em Ilhéus, Bahia, e acabam de ser restaurados.
Como se nota, Keith Haring fez valer a vontade de ter sua arte próxima da vida real, para além dos limites de museus e galerias, deixando desenhos também em estações de metrô, estampas em camisetas e canecas.

|Piso pintado por Haring na Bahia (1984). Foto: Keith Haring Foundation|
Como brinde, o vídeo abaixo traz um show de Madonna adornado com painel eletrônico que mostra desenhos do amigo Keith Haring.
Por Cosac Naify
Sexta-feira, 9 abril, 2010, às 16:32

O mais recente lançamento infantil da Cosac Naify, O livro da Nina para guardar pequenas coisas guarda em si – além de pequenas coisas – uma história muito rica e peculiar.
O artista pop norte-americano Keith Haring deu à filha de seu amigo e pintor italiano Francesco Clemente um presente muito especial. Em seu sétimo aniversário, Nina recebeu um livro totalmente personalizado, escrito e ilustrado por Haring de maneira artesanal. “Se quiser colecionar coisas grandes, arrume uma caixa”, diz ele no “manual de instruções” do livro, indicando que o objeto deveria ser usado apenas para as coisas mais singelas que Nina visse, ouvisse, ganhasse – e quisesse guardar. Guardar colando, pintando, desenhando, escrevendo, achatando etc.
Em outubro de 1987, Keith Haring escreveu em seu diário: “Alguns dias antes de voltar de Nova York, visitei Nina e Chiara Clemente, e ficamos desenhando juntos nas paredes de sua casa. Acho que esse foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Posso ser muitas coisas, mas, pelo menos, tenho certeza de que fui um bom companheiro para muitas crianças e talvez tenha marcado suas vidas de forma duradoura, e lhes ensinado um pouco sobre o que é compartilhar e cuidar. Às vezes tenho muita vontade de ter meus próprios filhos, mas talvez seja mais importante desempenhar este papel em muitas vidas, ao invés de apenas numa. Penso que, de alguma forma, este é o motivo pelo qual continuo vivo”. Quase um ano depois, em julho de 1988, o artista presentearia Nina com o livro.
Edição brasileira
O livro foi publicado nos Estados Unidos, em edição fac-similar, quatro anos após a morte de Keith, em 1994. O lançamento agora no Brasil também tem história. Como se traduz um livro feito inteiramente à mão? A Cosac Naify empreendeu um extenso trabalho de desenho das fontes, a partir da letra de Haring. Além disso, buscando preservar o caráter artesanal do objeto, o nome do autor não aparece na capa, apenas na lombada, e a edição não tem folha de rosto – já na guarda, vê-se a dedicatória ilustrada: “Para Nina, em seu sétimo aniversário – 15 de julho de 1988. Com amor, Keith”.
A própria Nina Clemente – hoje com 28 anos, estilista e apresentadora de um programa de culinária na internet – foi localizada pela editora e assina o texto de quarta capa da nossa edição (texto que você lê neste blog, na próxima semana), num depoimento em que fala do livro, de Haring e de como ele estaria feliz vendo O livro da Nina para guardar pequenas coisas sendo publicado no Brasil.