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Cosac Naify Blog » Recados da bola

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  • A bola rola em letra e áudio

    Por Cosac Naify
    Segunda-feira, 28 junho, 2010, às 12:48

    Em 1994, ano do Tetra, os jornalistas Jorge Vasconcellos e Claudiney Ferreira foram convidados pela rádio BBC de Londres para comandar a comemoração do centenário da chegada do futebol ao Brasil. Assim nasceu a série Brasil – Um século de futebol, 1894-1994, que reuniu depoimentos dos maiores craques de todos os tempos. Doze deles formam o livro Recados da bola, sobre o qual já comentamos aqui.

    Jorge, organizador do livro, nos cedeu os áudios dos bate-papos, uma relíquia radiofônica, dos quais elegemos alguns trechos, que você ouve aqui, com exclusividade.

    *

    Barbosa comenta os segundos que antecedem o gol feito pelo uruguaio Giggia, na Copa de 50. Logo após, o goleiro relembra a volta para casa.




    Jair Rosa Pinto conta, orgulhoso, como ajudou a formar grandes artilheiros em campo.




    Zizinho relembra um de seus maiores talentos: o drible.




    Bellini conta como inaugurou a tradição de levantar a taça acima da cabeça.




    Didi fala sobre o preconceito dentro do futebol e a experiência no Fluminense.




    Rivellino narra a alegria de dar o passe perfeito e deixar o companheiro na cara do gol.


  • Poesia com os pés

    Por Cosac Naify
    Quarta-feira, 23 junho, 2010, às 15:06

    O melhor time do mundo | Cosac Naify

    Ilustração de Daniel Bueno para O melhor time do mundo



    Muito antes de abrir a editora 7Letras, o botafoguense Jorge Viveiros de Castro flertou com a função de técnico de futebol ao escalar craques para os campeonatos de botão dos quais participava. Conquistou alguns troféus, como coach e jogador. Anos depois, ele ajustou a tática e levou à literatura infantojuvenil a história de uma turma de amigos que disputa, ao longo do ano, um campeonato de futebol de salão: no livro O melhor time do mundo (com ilustrações de Daniel Bueno), Jorge se inspirou nas escalações da Hungria do artilheiro Puskas e da Rússia do goleiro de ferro Yashin.

    Agora, o editor e escritor dá as boas-vindas à seleção de Recados da bola, com 12 mestres do futebol brasileiro escalados por Jorge Vasconcellos e pela Cosac Naify. Entre eles, Viveiros de Castro comemora de forma especial a presença de Nilton Santos, “por causa da identificação com o Botafogo, meu clube do coração, que ele ajudou a tornar ainda mais glorioso.”

    *

    “Esses recados da bola trazem um time de primeira linha, com alguns dos maiores craques que o futebol brasileiro já produziu. Os depoimentos e as imagens, retratando uma história formada ao longo de sofrimentos e glórias, ajudam a dimensionar a grandeza das conquistas que tivemos nesse esporte que se confunde com a própria alma nacional.

    Desde Domingos da Guia, que desfilou o talento de uma raça encantando o mundo em 1938; passando por Barbosa, Zizinho, Jair e Ademir, que viveram na pele o desastre de 1950, e pelos bicampeões Djalma e Nilton Santos, Bellini, Zito e Didi – até chegar ao tricampeão Rivellino e ao talentoso e emblemático Dr. Sócrates, que ao falar das lições da derrota de 82 resume uma história vencedora, forjada desde o ‘maracanazo’ que trocou as cores da camisa da seleção –, o quadro que emerge dessas páginas é um vivo painel humano dessa arte que melhor nos traduz.

    Leitura obrigatória para os amantes do futebol-arte e desses artistas que souberam escrever poesia com os pés.”

  • Maracanã sessentão

    Por Cosac Naify
    Quarta-feira, 16 junho, 2010, às 16:40

    Hoje, o Estádio Jornalista Mário Filho, o cantado Maracanã, completa 60 anos. Entre alegrias e tristezas, o local foi palco dos episódios mais importantes da história do futebol brasileiro, como o milésimo gol de Pelé, em 1969, e a derrota do Brasil para o Uruguai, na Copa de 50. Para que o gigante não adormeça de vez, há planos de reestruturação e reforma do estádio, que deve apresentar uma nova cara em 2012, para receber a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo, em 2014.

    Quando o Brasil perdeu para o Uruguai por 2 x 1, o jornalista e flamenguista Jorge Vasconcellos (1956-) não havia nascido. Anos depois, em 1994, ele entrevistou o goleiro Barbosa, injustamente responsabilizado pela derrota. A entrevista fez parte de uma série de dez programas de rádio feitos em parceria com o jornalista Claudiney Ferreira para a BBC de Londres e que, agora, estão reunidas no livro Recados da bola, organizado por Jorge, do qual já falamos aqui.

    Em visita à Cosac Naify, Jorge falou sobre o encontro com Barbosa, relembrou a primeira vez que entrou no Maracanã e o gol mais bonito que presenciou no estádio. No bate-papo, além de revelar detalhes da edição do livro, deu seus pitacos da escalação de Dunga: “Na minha seleção haveria espaço para os três: Ganso, Neymar e Ronaldinho Gaúcho”.

    *

    “Lembro do meu deslumbramento ao entrar no Maracanã pela primeira vez – sou capaz de descrever em detalhes a partida. Era um amistoso entre Brasil e Alemanha, em 1965, quando ganhamos por 2 x 0, gols de Pelé e Flávio.

    Para mim, o maior gol de todos os tempos foi feito pelo do Almir, o Pernambuquinho, na final do primeiro turno do campeonato carioca, em 1966, entre Flamengo e Bangu. Almir era o centroavante, o camisa 9 do Flamengo. A bola parou perto da linha do gol, num ponto enlameado, e ele botou a cara no chão e empurrou com a cabeça. Achei a cena absolutamente fantástica.”

    [Continue lendo aqui]

    *

    Em 1988, Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo dirigiram o curta Barbosa, narrativa em que se misturam cenas reais da partida de 1950 com uma história fictícia. Abaixo, um trecho do filme, com imagens emocionantes de Barbosa se levantando do chão após levar o gol que deu a vitória ao Uruguai, no Maracanã.



  • “Nossos ídolos, meus ídolos”

    Por Cosac Naify
    Segunda-feira, 14 junho, 2010, às 12:21

    Recados da bola | Cosac Naify

    Pelé, Rivellino e Tostão na partida que deu ao Brasil o título de tricampeão mundial de futebol, 1970



    Leonardo Silva Prado, o Leo, é apaixonado, fanático, doidinho da silva por futebol, sobretudo o brasileiro. Ok, muitos são. A diferença é que Leo criou um templo inteiramente dedicado à história do esporte: o bar São Cristóvão [Rua Aspicuelta, 533; tel. 3097-9904], na Vila Madalena, um dos destinos boêmios de São Paulo. As paredes são cobertas por mais de 3 mil itens sobre o universo da bola: fotos dos maiores craques de todas as épocas, recortes de jornal, imagens de times históricos, escudos e flâmulas. Se você der a sorte de conseguir uma mesa colada à parede, enquanto degusta uma alheira portuguesa, um caldinho de feijão ou os famosos bolinhos de arroz da casa, poderá ver Garrincha carregando a Taça Jules Rimet ou Pelé com uma marca de suor no peito que lembra um coração.

    Leo recebeu em mãos Recados da bola, organizado por Jorge Vasconcellos, que traz o depoimento de 12 dos maiores craques do futebol do país: Barbosa, Domingos da Guia, Jair Rosa Pinto, Zizinho, Ademir Menezes, Djalma Santos, Zito, Didi, Rivellino e Sócrates. O livro, recheado de fotos, conseguiu surpreender até mesmo este grande aficionado, que nos escreveu o comentário que você lê abaixo.

    *

    “Ter como ídolos jogadores que nunca foram vistos em ação pode parecer coisa de maluco. No entanto, eles são e continuarão a ser nossos ídolos. Meus ídolos. À exceção de Rivellino e Sócrates, que vi em campo, sobre os outros jogadores que estão em Recados da bola só conheço alguns breves momentos, em preto e branco, uma espécie de arqueologia emocional nestes imensos sítios de sonhos e de surpresa.  Apesar dos fragmentos de história serem os mesmos, há anos comentados, o espanto nunca cessa: eu sei que Didi vai buscar a bola, depois do gol contra a Suécia na final da Copa de 58, e levá-la calmamente ao centro do campo, tranquilizando os colegas. Começava ali a virada que nos daria o primeiro título mundial. Mesmo assim nunca deixo de ficar emocionado, como se visse a imagem diante de mim pela primeira vez, pois a partir daquele momento não haveria mais volta, éramos – somos – os reis do futebol.

    Recados da bola ajuda a derrubar um mito, o da pouca inteligência dos jogadores de futebol. Ainda que persista a ideia de que a maioria deles talvez não seja muito esclarecida, os craques não fazem parte desta categoria. Afinal, são eles os responsáveis pela transformação de um esporte em arte, e a grande arte só se faz com sabedoria, intuição, transpiração, talento e domínio da técnica. E, claro, com inteligência, o que nesse livro os atletas provam possuir com sobras. Então fica fácil perceber que o maior de todos, Pelé, não é fruto do acaso. Ele é o resultado das duas ou três gerações de craques que criaram a escola brasileira de futebol, a mais admirada entre todas no mundo.

    Pelé tinha um chute forte e bem colocado? O Jair Rosa Pinto também. Brigava com os zagueiros e fazia gols? Ademir Menezes também. Sabia se colocar em campo? Assim o Domingos da Guia. Era respeitado e temido em campo? É só ver o Bellini: carregava a bola como se fosse sua propriedade e chutava de três dedos, de efeito. Seu ídolo e modelo, Zizinho, muitos anos antes já fazia isso. E por aí vai. Daria para citar centenas de outros artistas, aqui representados por 12 deles, maravilhosos, com suas conquistas, derrotas, vaidades, defeitos – seres humanos, enfim. Mas desconfio que não para mim – aquele jogador de que meu pai falava com os olhos brilhando, o Ademir Menezes, o grande ‘Queixada’, não existiu. Foi um sonho. Só vendo para crer.”

    *

    Tabela da Copa da África 2010
    Acompanhe os jogos na África e marque os resultados na tabela exclusiva da Cosac Naify. Clique sobre a imagem e baixe o arquivo em formato A4.

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